A questão do “gênero” e a Fé Cristã

Você já ouviu falar sobre “disforia de gênero”? Segundo a Psicologia, trata-se de uma  “angústia significativa ou dificuldade de funcionamento” experimentadas pela pessoa em função de “um sentimento persistente de que seu sexo ao nascimento não corresponde ao seu sentimento interno de ser” (seu “gênero”). Em outras palavras, – e simplificando bastante – o aspecto psicológico do indivíduo não está em harmonia com seu aspecto biológico.

Para os cristãos, o problema não é admitir que esse desconforto possa existir em alguns. A nossa questão é que, tradicionalmente, esse descompasso incômodo era tratado, assumindo-se que o problema residia no âmbito psíquico. No entanto, recentemente, a ideia de que a pessoa nasceu “no corpo errado” situa o problema no aspecto biológico, e propõe a solução a partir de tratamentos hormonais, com cirurgias de redesignação anatômica e muitos outros desdobramentos, gerando debates adicionais sobre a adaptação da linguagem, sobre os atletas transgêneros e até mesmo, sobre a organização de banheiros públicos.

Embora haja muito o que ser dito sobre o impacto desses conceitos na sociedade e sobre os interesses políticos e econômicos por trás da difusão dessas ideias, entendo que os cristãos devem começar o debate pelo viés ontológico. Afinal, podemos decidir quem ou o que somos? Fundamentalmente, quem define a realidade? Onde está o erro que gera esse desconforto: no meu corpo ou na minha percepção e opinião sobre ele? Meus sentimentos e opiniões deveriam prevalecer sobre a minha condição biológica?

O entendimento cristão é que o pensamento do homem natural não é confiável (Salmos 94:11), e que o coração humano é desesperadamente corrupto (Jeremias 17:9). Deus não nos vê como nós nos vemos (1 Samuel 16.7), e Seus pensamentos são mais altos do que os nossos pensamentos (Isaías 55:8-9). A Palavra de Deus é apta para julgar os pensamentos do homem (Hebreus 4:12), e essa Palavra nos conta que Deus atribuiu significado e propósito a todas as coisas criadas (Gênesis 1:2).

Deus fez o homem para cultivar o jardim, a mulher para ser sua auxiliar correspondente, as árvores frutíferas para servir de alimento, os luzeiros para estabelecer dias e anos. É Deus quem atribui papel, significado e propósito a todas as coisas, e somente quando me alinhar à vontade do Criador – expressa no modo como Ele me fez – é que vencerei qualquer desconforto, pois n’Ele existe plenitude de alegria (Salmos 16:11).

Dessa forma, as igrejas, escolas e famílias cristãs podem ajudar um mundo confuso e sofredor, apontando esse erro fundamental. A polêmica da questão de gênero é, em sua base, surgida em função de compreensões equivocadas da realidade. A proposta cristã é tão simples quanto radical: é o Criador quem significa a Criação. O desconforto dos sofredores está em suas mentes corrompidas pelo pecado, que precisam ser transformadas para que eles experimentem a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12:1- 2).

Márcio Roberto Alonso

Pastor Presbiteriano, Capelão do Instituto Presbiteriano de Educação, Professor do Seminário Presbiteriano Brasil Central.

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