Testemunho: Eu me deixei curar!

Eu tinha entre 4 e 4 anos e meio, morava com o meu pai, minha mãe e mais quatro irmãs. Tínhamos a melhor família que uma criança poderia ter. Minha mãe era muito dedicada à família e meu pai muito trabalhador e carinhoso.

Meu pai já era um senhor de idade e a minha mãe era a sua segunda mulher, já que a primeira havia morrido. A diferença de idade deles era muito grande. Meu pai tinha uns 60 anos e minha mãe tinha uns 30 anos. Na primeira família do meu pai, todos os filhos já eram casados. Meu pai era um mineiro que sempre trabalhou com a terra, veio para Goiás após ter perdido tudo que havia conquistado, quando achara uma pedra de diamante que havia garimpado. Ao chegar em Rubiataba – Goiás, foi cuidar da única fazenda que havia sobrado.

Ao vir para Goiânia resolver um problema no antigo banco BEG da Avenida Goiás, meu pai se deparou com um cambista que, após insistir muito, lhe vendeu um bilhete de loteria, não sabendo ele que em poucas horas depois ganharia o primeiro prêmio. Logo após esse ocorrido, meu pai conheceu minha mãe e se casou com ela, uma morena linda de olhos verdes. Eles viveram juntos por quinze anos.

Minha mãe tinha um costume de todos os dias, por volta das 17 horas, colocar todos nós para tomar banho e, quando meu pai chegava, o jantar estava na mesa e nós de banho tomado. Esperávamos ele chegar para, então, jantarmos juntos. Naquela noite, tudo corria normalmente, como todos os outros dias. Porém, de repente, meu pai começou a agredir minha mãe com tapas e murros. Ficamos muito assustados, pois aquilo nunca tinha acontecido. Se não fosse os vizinhos acudirem, acho que aquela briga teria terminado em tragédia. Meu pai chorava muito e eu vi quando ele arrumou sua mala e partiu para a casa de um dos seus filhos do primeiro casamento. Dormimos no vizinho aquela noite. Minha mãe ficou com medo de meu pai voltar e fazer algo pior.

No outro dia, no café da manhã, minha mãe nos colocou sentados à mesa e fez uma pergunta: “Quem quer ir com seu pai?”. Como eu achei que ele estava indo para a fazenda, respondi: “Eu”. Minha mãe então, pediu para a minha irmã mais velha arrumar minha mala e me levar até o meu pai. Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo.

Fiquei com meu pai durante alguns dias na casa de uma meio irmã do primeiro casamento dele, até que um dia, ele olhou para mim e disse: “Você não pode ficar comigo, vou te mandar para a sua mãe”. Mais uma vez, sem entender nada, lá fui eu de volta, mas desta vez, ao chegarmos em casa, a única coisa que encontramos foram as paredes. Minha mãe havia se mudado com o seu amante e minhas irmãs. Fiquei sem entender nada. Além de perder minha mãe, perdi também a minha casa. Tive que voltar para o meu pai. Como ele não tinha condições de cuidar de mim, fui morar com meu irmão do primeiro casamento dele, onde fui criado. Cresci com ódio mortal da minha mãe. Ouvi várias vezes dos parentes mais próximos: “Você não presta! Você é como sua mãe, sua mãe não gosta de você, ela te abandonou, etc.”

Cresci com complexo de inferioridade, rejeição e baixa autoestima. Fiquei oito anos sem ver minha mãe. Quando ela veio me ver, eu já era um adolescente completamente rancoroso e magoado. Nessa época, eu já estava na igreja porque eu passava a semana na casa do meu irmão, e nos finais de semana ficava com meu pai. Aos domingos, ele me levava na Assembleia de Deus da Fama, onde eu participava da Escola Bíblica e, durante a semana, meu irmão (irmão pai) me levava na Irradiação Espírita. Deus tinha um plano para a minha vida, porque meu pai fez o que, hoje, eu acho que foi o mais importante: me consagrou ao Senhor. Várias vezes eu acordava à noite com meu pai orando por mim e dizendo: “Senhor, faça dele um pastor!”

Entretanto, tinha uma questão que eu precisava resolver: perdoar a minha mãe. Deus então, começou a mover em minha vida. Sonhava com minha mãe e várias pessoas me davam livros sobre cura interior e perdão. Minha mãe de coração, esposa do meu irmão pai, foi de fundamental importância nesse processo. Cheguei em um estado que, ou resolvia aquela questão, ou morreria de tanta angústia.

Assim, pedi para que ligassem para minha mãe e pedissem para ela vir, pois eu queria resolver aquela situação. Ela morava em Brasília, ainda mora. No dia marcado não dormi à noite. Foi o pior dia da minha vida, embora eu entendesse a necessidade de fazer aquilo, dentro de mim, eu não queria. Foi uma guerra interior, mas eu tinha aprendido que: “Perdão não é sentimento, é decisão” e eu estava decidido a perdoar e receber perdão.

Chegou o grande momento, minha mãe chegou e se sentou à minha frente. Naquele instante, eu tive uma tempestade de emoções. Por um lado, queria correr e abraçá-la, por outro lado, queria enforcá-la e dizer tudo que eu tinha sofrido por causa dela. Porém, Deus tinha preparado aquele dia, aquele lugar e aquela hora, para me curar. Quando chegou minha vez de falar, a única coisa que consegui dizer foi: “Mãe, pedi para vir aqui porque preciso te pedir perdão!”. Quando eu falei isso, ela se levantou do sofá, veio em minha direção e nós nos abraçamos no meio da sala, choramos por volta de duas horas, sem falarmos uma palavra sequer.

Deus estava nos curando, tanto a mim, como a minha mãe. O resultado disso é que hoje, minha relação com ela é a melhor. Quando vou em Brasília não tenho vergonha de dizer que durmo no cantinho dela. Aleluia!

Não tem coisa melhor que colo de mãe!

Para terminar, gostaria de dizer para você que está lendo este testemunho de perdão e cura: não fique com sua vida presa no passado por falta de perdão. Trate a sua ferida e seja liberto, em nome de Jesus!

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. (Mateus 6:12)

Eu me deixei curar, e você?

Pr. Carlos Melo

Pr. Carlos Melo

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