O livro de Ester nos apresenta uma das mais belas revelações sobre como Deus trabalha por meio de processos silenciosos, longos e profundamente formadores. Quando Ester entra na presença do rei, nada naquele momento é fruto de impulso, sorte ou improviso. Aquela cena, que aos olhos humanos parece repentina, é resultado de um caminho cuidadosamente conduzido por Deus, um percurso que envolveu preparação física, emocional, relacional e espiritual.
Antes de ser coroada rainha, Ester passou por doze meses de purificação (Leia Ester 2:12). Esse detalhe, muitas vezes lido de forma apressada, revela um princípio profundo: Deus não acelera aquilo que precisa amadurecer. Os óleos, perfumes e cuidados iam além da estética; simbolizavam disciplina, formação e alinhamento. Ester estava sendo preparada para ocupar um lugar onde suas palavras, atitudes e decisões impactariam destinos, nações e vidas, por isso ela precisava estar vestida adequadamente para se apresentar. O chamado era grande demais para ser sustentado por alguém despreparado.
Durante esse processo, Ester não caminhou sozinha. Mardoqueu a instruía constantemente, e ela demonstrava algo raro: um coração ensinável. Mesmo escolhida pelo rei, não se tornou autossuficiente. Sua postura revela que o favor não elimina a necessidade de submissão, ao contrário, o verdadeiro favor floresce em quem sabe ouvir, esperar e obedecer. Deus estava moldando nela não apenas uma rainha, mas uma intercessora, uma representante do Seu povo.
Quando chegou o momento decisivo, que foi o decreto de morte contra os judeus, Ester não agiu por impulso. Ela compreendeu que a presença sem preparo pode custar a vida. Jejum, oração e estratégia antecedem a sua ida ao trono. Ela se vestiu, sim, mas esse “vestir-se” vai além das roupas reais. Ester se revestiu de temor, coragem, discernimento e total dependência de Deus. Ela não entrou no palácio apenas bem apresentada, ela entrou alinhada a um propósito.
Esse é um princípio espiritual poderoso: Deus nunca nos expõe antes de nos preparar. O mundo valoriza o palco, mas Deus valoriza o processo. Na Escritura, a representação sempre vem depois da formação. Isso também aconteceu com José, que passou pelo cárcere antes do governo e com Davi, que foi pastor antes de ser rei. Ester foi órfã, serva e aprendiz antes de se tornar instrumento de salvação para uma nação.
Vestir-se para se apresentar, à luz da Bíblia, significa estar revestido de caráter, santidade, maturidade e responsabilidade. Não é apenas ocupar um lugar visível, mas sustentar o peso do chamado, pois Deus confia destinos àqueles que Ele primeiro forma no secreto.
Que a história de Ester nos leve a refletir sobre o tempo em que estamos vivendo. Talvez você ainda esteja no processo, longe dos aplausos e do reconhecimento. Mas saiba: o silêncio de hoje pode ser a preparação para a responsabilidade de amanhã. Permaneça fiel, ensinável e alinhado, porque, quando Deus decidir abrir a porta, você não apenas será visto, pois estará pronto