“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós.” (Efésios 3:20).
Com muito carinho e temor, quero compartilhar o meu testemunho deste ano com o leitores da Revista Renascer. Na verdade, nem sei exatamente como começar esse testemunho. Talvez porque existam milagres que a gente vive e demora um tempo para conseguir entender tudo o que Deus fez. Mas acho que vou começar pelo fim, porque foi exatamente assim que tudo aconteceu comigo: primeiro veio a surpresa, depois eu fui compreendendo o cuidado de Deus em cada detalhe.
Como todo final de ano, eu também carregava expectativas para o novo ano que estava chegando. Sonhos, pedidos e orações que eu apresentava ao Senhor em silêncio há muito tempo.
No culto da virada da Igreja Batista Renascer de 2025 para 2026, como sempre faço, estava presente na igreja. Para mim, não existe lugar melhor para atravessar a virada de um ano do que na presença de Deus, adorando e agradecendo por tudo. Naquele culto, antes da última oração do ano, fizemos a nossa tradicional lista de pedidos ao Senhor. Com minha folha nas mãos, comecei a escrever:
- Quero ler a Bíblia toda novamente.
- Quero aumentar meu tempo de intimidade com Deus.
- Quero a libertação do meu esposo e dos meus filhos.
- Senhor, quero que a minha aposentadoria saia logo.
- Senhor, preciso muito de um carro.
Entreguei aquela oração ao Senhor como quem conversa com um Pai. E, sinceramente, eram pedidos simples, necessidades reais da nossa vida. Mas Deus já tinha preparado algo muito maior do que eu podia imaginar.
Naquele mesmo dia 1º de janeiro começaríamos a campanha dos sete primeiros dias na presença de Deus. Porém, decidi não ir ao culto naquela noite porque meu pai estava em casa comigo. Ele mora no interior do norte de Goiás e precisou vir às pressas para Goiânia alguns dias antes do Ano Novo por causa de um inchaço muito forte na perna esquerda, que parecia ser erisipela. Levei-o ao pronto-socorro e realmente foi confirmado o diagnóstico. Ele começou o tratamento com antibióticos e, naquele dia, preferi ficar em casa cuidando dele. Passamos a tarde juntos. Eu fazendo crochê, que amo, enquanto ele assistia televisão e cochilava no sofá. Em um determinado momento, ele me chamou e disse que estava preocupado comigo. Falou sobre o fato de eu depender de Uber para todos os lugares, dos perigos que via acontecer e de como estava difícil a nossa rotina sem carro. E realmente estava.
Eu apenas respondi ao meu pai que Deus sabia de todas as coisas. Então ele me perguntou se eu conseguiria fazer um financiamento de cerca de vinte mil reais. Respondi que sim, porque funcionário público normalmente tem facilidade nisso. Foi quando ele me surpreendeu. Disse que tinha um dinheiro guardado e queria me dar um pouco para ajudar na compra de um carro.
Naquele momento eu fiquei sem reação. Era a economia de anos do meu pai. Eu tentei argumentar, dizer que não precisava, mas ele insistia dizendo que aquilo também ajudaria eles quando viessem para Goiânia fazer consultas e exames. Confesso que fiquei alguns dias sem conseguir processar tudo aquilo. Parecia que eu estava anestesiada.
Alguns dias depois, liguei para meus pais, como faço todos os dias, e recebi outra surpresa. Meu pai disse que não queria que eu financiasse nada. Ele não queria que eu ficasse devendo sequer um valor do carro. Então decidiu completar todo o restante. Naquele momento eu desabei em lágrimas. Porque, nas minhas próprias condições, comprar um carro à vista parecia impossível.
Mas o Senhor realizou o impossível logo no primeiro dia do ano de 2026.
Quinze dias depois, o carro estava na nossa garagem. E o mais lindo de tudo é perceber que Deus respondeu exatamente o quinto pedido da minha lista. Nem o primeiro. Nem o segundo.
O quinto. Como se Ele estivesse me mostrando que ouviu cada detalhe daquilo que eu havia escrito naquela folha de oração.
Hoje entendo ainda mais que Deus usa pessoas para nos abençoar. Louvo ao Senhor pela vida do meu pai e pela generosidade dele conosco. Mas, acima de tudo, louvo a Deus, porque foi Ele quem moveu tudo. Ter um carro para nós não era luxo nem status. Era necessidade. Era cuidado. Era resposta de oração. E como o nosso Deus é detalhista, cuidadoso e amoroso.
E, sinceramente, depois de tudo isso, só me resta uma palavra: gratidão.