“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7).
Existem notícias que dividem a nossa história em antes e depois. Em maio de 2024, vivi um desses momentos. Descobri que estava com um tumor medular, chamado hemeginioma, e, ao ouvir dos médicos que se tratava de algo sério, grave e doloroso, senti como se o meu mundo tivesse desabado. O medo tomou conta dos meus pensamentos. Muitas perguntas surgiram e, por várias vezes, achei que não teria forças para continuar. Pensei em desistir umas dez vezes. Era difícil imaginar o futuro diante de tantas incertezas. Mas Deus foi maior do que o meu medo.
Foi assim que encontrei coragem para tomar uma das decisões mais difíceis daquela caminhada: fazer a cirurgia. A partir dali tudo se tornou ainda mais real. O médico me explicou que havia uma grande possibilidade de eu ficar paraplégica. Também fui informada de que poderia ser necessária uma transfusão de sangue durante o procedimento e de que talvez fossem colocados parafusos em minha coluna.
Além disso, precisei me preparar emocionalmente para uma realidade completamente diferente. A cadeira de rodas, o andador e a muleta poderiam fazer parte da minha rotina até que eu conseguisse me adaptar a uma nova maneira de viver. Não era fácil ouvir tudo aquilo. Cada informação trazia um novo peso. Eu precisava enfrentar não apenas a cirurgia, mas também a possibilidade de acordar e perceber que minha vida nunca mais seria como antes. Foi justamente nesse lugar de fragilidade que experimentei algo que jamais vou esquecer: a paz de Deus.
O problema não havia desaparecido. O tumor continuava ali, a cirurgia ainda precisava acontecer e os riscos eram reais. Mesmo assim, havia dentro de mim uma paz que não combinava com o cenário ao redor. Hoje, entendo que era o cuidado de Deus me sustentando quando eu já não conseguia sustentar a mim mesma.
Então chegou o dia da cirurgia. Entrei naquele momento consciente de tudo o que poderia acontecer, mas também com a certeza de que Deus estaria comigo. Eu não sabia qual seria o resultado, porém sabia em quem estava confiando. E, para honra e glória do Senhor Jesus, tudo aconteceu muito melhor do que eu poderia imaginar diante das possibilidades apresentadas.
Eu não fiquei paraplégica. Não precisei fazer transfusão de sangue. Não foi necessário colocar parafusos em minha coluna. Passei pela cadeira de rodas e pelo andador, mas por muito menos tempo do que esperávamos.
A recuperação também fez parte desse testemunho. Aos poucos, fui aprendendo a valorizar cada avanço. Depois de ouvir tantas possibilidades sobre como seria a minha vida dali para a frente, cada passo ganhou um significado diferente.
Hoje, dois anos depois da cirurgia, quando olho para trás, não vejo apenas um período de medo e dor. Vejo cuidado, livramento e misericórdia. Vejo as mãos de Deus em momentos que, na época, eu não conseguia compreender. Essa experiência me ensinou que a paz de Deus não significa ausência de tempestade. Muitas vezes, ela se revela justamente quando tudo ao nosso redor parece incerto. É a paz de quem não tem todas as respostas, mas sabe em quem pode confiar.
Conto essa história com gratidão. Não porque tenha sido fácil, mas porque foi em um dos momentos mais difíceis da minha vida que experimentei, de maneira ainda mais profunda, a presença de Deus. Se existe uma certeza que ficou marcada em meu coração, é esta: quando as nossas forças acabam, as mãos de Deus continuam firmes. Ele permanece presente, sustenta nossos passos e nos dá paz mesmo quando ainda não conseguimos enxergar o final da história.
Deus é perfeito!