A pedra foi removida, a história continua

imagem: envato

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“E houve um grande terremoto, porque um anjo do Senhor desceu do céu e removeu a pedra.” (Mateus 28:2).

Existem momentos na vida em que tudo parece encerrado. Situações que se fecham diante de nós como uma grande pedra, pesada demais para ser movida e impossível de ser removida pelas nossas próprias forças. Aos nossos olhos, parece ser o fim da história.

Na manhã da ressurreição de Jesus, uma pedra também estava diante de um túmulo. Ela representava exatamente isso: bloqueio, silêncio e impossibilidade. Quando Maria Madalena e outras mulheres estavam a caminho do túmulo de Jesus para ungir o seu corpo, a única preocupação que elas carregavam era: “Como vamos remover a pedra para entrar no túmulo?”

A Bíblia descreve essa pedra como “muito grande”, e foi colocada para fechar a entrada do túmulo de Jesus. Segundo alguns estudiosos, seriam necessários cerca de dez homens fortes para removê-la, pois o peso estimado poderia chegar entre uma e duas toneladas.

Lamentando e entristecidas, aquelas mulheres caminhavam imaginando como conseguiriam remover a pedra para ter acesso ao corpo do Senhor. O que não esperavam era que, ao chegarem, encontrariam a pedra já removida e o sepulcro vazio.

Foi nesse momento que um anjo do Senhor desceu do céu e removeu a pedra e foi assim que a pedra removida tornou-se o primeiro sinal da ressurreição de Jesus Cristo, marcando o túmulo vazio, a vitória sobre a morte e o nascimento de uma esperança renovada.

Pedras representam problemas que consideramos intransponíveis. São situações nas quais não enxergamos solução, circunstâncias que parecem selar o fim de uma trajetória. É interessante destacar que após a crucificação de Jesus, a esperança parecia perdida. Nada mais podia ser feito, a não ser ir ao túmulo derramar lágrimas e ungir o corpo daquele que agora parecia morto.

Mas Deus já havia feito o impossível. Ele age além daquilo que é visível aos nossos olhos. Então, o que parecia ser o fim era, na verdade, o início da nossa redenção. Por isso, precisamos entender que diante das pedras, dos obstáculos, das dores e das situações que parecem encerrar a nossa história, o convite do Senhor é para permanecermos firmes diante d’Ele, pois a provisão já foi enviada.

A ressurreição de Cristo revela que Deus transforma túmulos em recomeços. Mas, mesmo sabendo disso, muitas vezes permitimos que as pedras e os sepulcros da vida roubem a nossa paz, enfraqueçam as nossas forças e nos encham de ansiedade.

Depois de ressuscitar, Jesus caminhou ao lado de dois discípulos que seguiam para Emaús, porque acreditavam que Ele não havia ressuscitado. Estavam tão ansiosos, murmurando sobre os acontecimentos e carregando no coração tristeza, frustração e decepção, que não o reconheceram. Mesmo com a ressurreição já consumada, eles não perceberam que o próprio Cristo caminhava ao lado deles.

A verdade é que a decepção daqueles discípulos estava diretamente ligada ao caminho que escolheram trilhar. Eles se afastaram de Jerusalém, que era o lugar da promessa, e seguiram para outro destino: Emaús, cujo nome está relacionado a fontes de águas quentes. Eles buscavam ali algum tipo de consolo ou cura superficial. Ou seja, nesse novo caminho, eles estavam trocando Jesus, a verdadeira fonte de água viva, por outra fonte. Assim, saíram do lugar onde deveriam permanecer aguardando o cumprimento da promessa, porque deixaram de crer que a pedra seria removida.

Nesse contexto, gostaria de trazer um reflexão sobre as nossas vidas: quantas vezes fazemos o mesmo? Estamos tão perto do caminho certo, mas ainda não estamos nele. Abandonamos o lugar onde deveríamos aguardar o cumprimento da promessa e seguimos outro caminho, simplesmente porque deixamos de crer.

Na história, vemos que quando os olhos daqueles discípulos foram abertos, eles reconheceram o Cristo ressuscitado e imediatamente se levantaram e voltaram para Jerusalém. Então, perceberam que não era o fim, mas o início de uma nova jornada iluminada pela esperança da ressurreição.

Nesse mês de abril, comemoramos a Páscoa, mas precisamos ter o entendimento completo dessa data, não apenas como um fato histórico, mas como um convite constante ao recomeço e à fé. Observe que a palavra hebraica “Pessach”, que traduzimos como Páscoa, significa passagem, e aponta para momentos em que Deus conduz o seu povo através de obstáculos que pareciam impossíveis de atravessar.

Foi assim quando Israel esteve diante do Mar Vermelho. À frente havia o mar; atrás vinha o exército egípcio. Humanamente não havia saída. Mas Deus abriu um caminho no meio das águas, e o povo passou. Foi assim também na travessia do Jordão. O rio transbordava em suas margens, mas, quando os pés dos sacerdotes tocaram as águas, o caminho se abriu para que Israel entrasse na terra prometida.

E, na manhã da ressurreição, mais uma vez Deus revelou que nenhum obstáculo é definitivo.

A pedra foi removida. O túmulo não pôde reter Jesus. A morte foi vencida.

Assim, a Páscoa continua anunciando, geração após geração, que quando Deus remove a pedra, não é apenas o obstáculo que sai do caminho, é a revelação de que a história ainda não acabou.

Que a luz da ressurreição de Cristo ilumine o seu caminho e renove a sua fé.

Tenha uma Páscoa abençoada.

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