Ao infinito e além!

Imagine uma coisa simples: todas as pessoas do mundo, cada um com sua função social, cidadã e relacional, cumprindo rigorosamente as suas obrigações! Nenhuma queixa sobre o que alguém deveria ou poderia fazer com relação a si mesmo e principalmente com relação ao próximo. Peraí, isso é o céu na terra? Não, mas é um panorama, um pano de fundo para introduzir a nossa reflexão. Num tempo em que as pessoas se vangloriam de serem honestas e os cristãos arvoram seus bons testemunhos, as virtudes que deveriam ser inerentes a todo ser humano e, principalmente para os cristãos, são alardeadas como diferencial. Assim, parece difícil esperar que as pessoas possam ir  além do que se espera delas. Talvez fosse querer demais.

Uma vez ouvi de um pastor que influenciou muito a minha estrutura de pensamento teológico, o conceito de longanimidade como sendo “ir além do que se espera”, e não simplesmente a dilatação do ânimo. Quando Jesus Cristo disse que deveríamos oferecer a outra face, doar também a capa junto com a túnica ou andar a segunda milha com quem só espera que andemos a primeira, ele ensinou um princípio não apenas de humildade, mas uma forma de exercitar o desapego, a servidão.  Aprendo ainda que seria uma maneira de demonstrar amor e cuidado para com uma pessoa hostil, que constrange enquanto humilha.

Não é fácil não reagir a um desaforado, a um vaidoso em posição de comando, a um esnobe que usa a influência para assediar moralmente ou se impor pela arrogância. Se dar a outra face é levar desaforo pra casa e trocar por perdão, dar a calça além da camisa desejada, é impressionar positivamente. Andar a segunda milha quando, por obrigação ou constrangimento tivermos que andar a primeira, é um tapa com luva de pelica que pode quebrar a crista de um soberbo qualquer.

Se já não bastasse uma vida feliz e realizada na Terra (a despeito das lutas e dissabores), Deus nos oferece uma vida além, uma eternidade sem sofrimento algum. Um Deus que opera além do que pedimos ou pensamos, que revela pelo Espírito Santo as riquezas que nenhum olho viu e jamais penetrou o coração humano, é o mesmo Deus que, além de criar um jardim de delícias para seus filhos, oferece salvação para todo aquele que, desviando do propósito original, deseje voltar ao Seu convívio não apenas agora, mas para sempre.

Brincando com a clássica frase de Buzz Lightyear nos filmes da franquia Toy Story, não basta o infinito, tem que ir além! Não basta ter pena, tem que exercer misericórdia, o que envolve a provisão pelo menos de parte da solução do problema do próximo que nos causa consternação. Ser honesto, dar bom testemunho, ser educado…não é mérito, é obrigação! Há que se ir além, romper os limites do conforto pessoal e furar a bolha que atormenta o outro, para fazer escapar o gás tóxico que o imobiliza. Já que a palavra da moda, a queridinha das campanhas publicitárias é “surpreender”, deixemos as pessoas à nossa volta boquiabertas com nossas imprevisíveis atitudes abençoadoras, nossas inesperadas reações de afeto e bem vindas ações de melhoria da qualidade de vida de quem espera de nós o mínimo, mas pode se surpreender com muito mais de nós.

Deus fez e faz isto o tempo todo. Como sua semelhança, façamos o mesmo!

Pr. Anibal Filho

Pr. Anibal Filho

Doutor em Produção Vegetal pela UFG e Pastor auxiliar da Igreja Batista Renascer.

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