De volta para casa

imagem: envato

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O início de um novo ano sempre me faz revisitar a minha própria história com Deus. É como se janeiro trouxesse um convite silencioso para olhar para trás, reconhecer de onde Ele me tirou e agradecer pelo cuidado que me acompanhou até aqui, mesmo nos anos em que eu não estava perto d’Ele. Ao refletir sobre tudo o que vivi, percebo que a minha caminhada foi marcada por uma semente plantada na infância e que, apesar das tempestades, nunca deixou de existir dentro de mim.

Sempre fui uma criança apaixonada pela igreja e por Jesus, nessa ordem. Naquela época eu conhecia o Deus Senhor, mas ainda não conhecia o Deus Pai que conheço hoje. Meus pais biológicos não eram evangélicos, e quando a minha mãe faleceu, eu tinha apenas três anos. Fui morar com a família materna, quase toda cristã, e isso moldou profundamente a minha infância. Cheguei a acreditar, ainda criança, que a morte da minha mãe fazia parte do plano de Deus para me salvar. Eu amava evangelizar, participar das atividades, cantar, fazer peças. Para mim, era inconcebível que alguém ficasse em casa assistindo TV num domingo à noite em vez de ir para a igreja.

Mesmo assim, havia regras que eu não entendia. Hoje sei que eram apenas usos e costumes, mas naquela época, meus questionamentos eram ignorados, e isso me afastava da ideia de batizar sem convicção verdadeira. Via muitas amigas se batizando por imposição e logo se desviando, e eu não queria viver algo que não fosse real.

Nessa época eu morava com a minha avó, uma mulher de coque que me levava para o círculo de oração. Que tempo precioso! Mas tudo mudou quando um familiar foi morar conosco e começou a implicar com a minha dedicação à igreja. Ninguém me defendeu. Aos poucos fui me afastando, até dizer à minha avó, chorando, que um dia ela oraria para eu voltar… e seria tarde. E, de fato, fiquei cerca de quinze anos distante da casa de Deus.

Foram anos marcados por decepções com a instituição e por um vazio profundo. Nada me satisfazia. Eu tinha temor de Deus, mas não conseguia viver no mundo como muitos imaginavam. Trabalhei muito, porque não morando com meus pais, eu me via como um peso. Meu objetivo era garantir o meu próprio sustento para não depender de ninguém. O último desejo que eu tinha era casar ou ter filhos. Mas Deus, em Sua misericórdia, mudou completamente a minha história: me presenteou com um casamento abençoado e um marido maravilhoso. Isso, por si só, já seria outro testemunho, especialmente para alguém que antes se identificava com o feminismo.

Mudamos para Goiânia e meu esposo recebeu um convite para visitar a Igreja Batista Renascer e pela primeira vez senti algo diferente. Depois, com os meus enteados morando conosco, eu sabia que precisava ensiná-los no caminho do Senhor. No início, eu apenas os deixava na igreja e ia embora, mas no fundo eu sabia que não era assim que deveria ser.

Em um culto, profundamente angustiada e depressiva, ouvi o Pastor João dizer: “Aqui você tem tudo para mudar: psicólogos, nutricionistas, pastores de plantão, os cursos da UDF… mas a decisão é sua.” Naquele momento, algo virou dentro de mim. Decidi: faria tudo o que fosse necessário. Se ele dissesse para plantar bananeira no asfalto, eu faria. Pensei: “Se não funcionar, pelo menos saberei que tentei. Porque do jeito que estou, vou para o inferno sem ter aproveitado nada.”

Me matriculei nos cursos, fiz terapia, enfrentei minhas dores. Em 2021 me batizei. Fiz o curso Mulher Única duas vezes, fiz Mulher que Prospera, fui líder em treinamento. Deus foi me transformando. De feminista, me tornei esposa e mãe presente. Larguei o trabalho, voltei para casa, vivi um processo difícil, mas glorioso. Tive um encontro com Deus Pai, e isso mudou tudo. Hoje sou filha. Filha amada. E nunca mais quero sair desse lugar.

Sou profundamente grata por esta casa. Sinto que pertenço a uma família. Carrego o arrependimento de ter saído dos pés de Jesus, mas também carrego a certeza de que Ele nunca saiu dos meus. Vejo o cuidado de Deus em cada detalhe da minha história. Vejo as orações da minha família, especialmente da minha avó e da minha tia, que hoje descansam no Senhor.

Eu sou prova viva de que vale a pena ensinar a criança no caminho em que deve andar. A semente pode até ser abafada por um tempo, mas não morre. No momento certo, ela brota. E hoje eu vejo isso não apenas em mim, mas também nos meus.

Vale a pena amar e servir a Deus. Vale a pena amar e servir às pessoas.

Gratidão, Igreja Batista Renascer.

Gratidão, Deus Pai, por me trazer de volta para casa

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