O preço da indecisão

imagem: envato

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15).

A etimologia da palavra “indecisão” remete à incapacidade de cortar, pois decidir exige renúncia. Toda escolha fecha portas, elimina possibilidades e define caminhos. Talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas permanecem paradas entre opções, tentando evitar o peso da decisão, sem perceber o preço da indecisão.

É interessante observar que o povo de Deus sempre foi chamado para a obediência. Por esse motivo, caminhar com Deus exige responsabilidade e renúncia. Deus sempre colocou dois caminhos diante de nós: o caminho da vida e o da morte. Jesus disse que não podemos servir a dois senhores. Ou servimos a Deus ou servimos a Mamom. Observe o exemplo de Elias, no monte Carmelo, chamou o povo de Israel para a responsabilidade da decisão: “Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” (1 Reis 18:21 ACF).

A verdade é que o silêncio do povo já revelava o preço da indecisão. Um coração dividido perde direção, firmeza e discernimento espiritual. A fé bíblica exige compromisso, já a indecisão revela perda de direção e a fragilidade espiritual diante de Deus. O seu maior preço talvez seja a esterilidade interior, porque o homem dividido perde firmeza na oração, constância na fé e profundidade na comunhão.

Precisamos entender que em toda a Escritura, Deus nunca legitimou a neutralidade. O Senhor exige de nós lealdade. Não existe relacionamento verdadeiro com Deus sem posicionamento.

Com todo respeito, a igreja contemporânea está repleta de cristãos que perderam o rumo de sua missão e propósito. Em outras palavras, são cristãos que abandonaram o compromisso. A igreja sabe exatamente o que deve fazer. Nós sabemos o que devemos abandonar, o que devemos cortar das nossas vidas. O que está faltando então, não é fé, mas um posicionamento firme dos santos.

E talvez esse seja justamente o grande preço da indecisão nos nossos dias: muita informação, pouca transformação; muito discurso, pouca renúncia; muita emoção, mas pouco compromisso verdadeiro com Deus.

Diante disso, Josué é um espelho para uma igreja que necessita urgentemente despertar. Elias e Josué apontam para a mesma verdade: a necessidade de decisão diante de Deus. Ambos foram sentinelas levantados para lembrar o povo de que é preciso decidir a quem servir.

O que vemos no livro de Josué é um povo negligente diante da aliança. Depois de tantas bênçãos conquistadas, Josué relembra que a maior bênção nunca foi a terra prometida, mas a presença de Deus. Mas, para servi-Lo, é necessário fazer isso de todo o coração.

Josué entende que esse é um chamado global, mas também pessoal. Por isso ele declara: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Essa afirmação significa: “Estou decidido a permanecer na aliança”. Assim, o posicionamento sempre terá um custo, mas a indecisão cobra um preço ainda maior.

Até quando coxeareis entre dois pensamentos?

Finalmente, reflita: toda indecisão já é uma escolha.

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