“Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas estes não quiseram vir”. (Mateus 22:1–3).
A santidade é um dos temas mais presentes nas Escrituras e, ainda assim, um dos menos compreendidos em nossos dias. Muitas vezes, ela é tratada como algo distante, pesado ou reservado a poucos. Contudo, quando olhamos atentamente para a Palavra, percebemos que a santidade não é um evento isolado, nem uma exigência impossível: é um estilo de vida para o qual o próprio Deus nos chama. E, à luz dessa convocação do Senhor, a parábola aos convidados, registrada em Mateus 22:1–14, nos oferece lições preciosas, especialmente agora, quando iniciamos um novo ano e revisitamos compromissos espirituais que realmente importam.
Jesus descreve o Reino de Deus como um grande banquete preparado por um Rei. O convite foi enviado a muitos, mas os convidados recusaram. Preferiram seus negócios, suas rotinas, suas prioridades. O texto revela uma verdade desconfortável: os filhos de Abraão estavam mais envolvidos com as ocupações terrenas do que com o chamado eterno. Então, um novo povo foi convidado, pessoas simples, sem expressão social, que inicialmente não seriam consideradas dignas da festa. Elas receberam o convite antes de qualquer expectativa de preparo.
A santidade começa exatamente aí: no convite. Deus nos chama para perto, oferecendo graça antes de exigir transformação. Não brota do esforço humano; nasce do olhar misericordioso do Rei que abre as portas e nos inclui.
Porém, a parábola avança quando um convidado entra no salão sem a veste nupcial. Ele aceitou o convite, mas não honrou o compromisso. A graça alcança, mas a resposta exige transformação. A veste representa renúncia, mudança e caráter, em outras palavras: santidade. O problema não era a sua presença no banquete, mas a ausência de uma vida condizente com o Reino. Jesus encerra com a frase que ecoa até hoje: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”
Para compreender essa caminhada, precisamos reconhecer que a santidade se manifesta em três dimensões integradas. Primeiro, a santidade pontual, o momento exato em que Deus nos alcança e nos separa para Si. É o instante da conversão, do despertar espiritual, quando respondemos ao convite do Rei. Mas esse ponto inicial não é o destino, é apenas a porta.
Em seguida, vem a santidade processual, o caminho mais longo e desafiador. Nela somos moldados diariamente pelo Espírito Santo. Abandonamos velhas vestes e nos revestimos do novo homem. Aqui estão as tensões da vida cristã: renunciar ao pecado, ajustar hábitos, alinhar pensamentos ao caráter de Cristo. Nenhuma dessas transformações ocorre da noite para o dia. Pedro levou anos para amadurecer; José foi preparado no silêncio; Davi cresceu antes de ser exaltado. A santidade processual revela se realmente estamos vestidos para o banquete.
Por fim, encontramos a santidade de concerto, o compromisso firme de permanecer na aliança com Deus. É viver consciente de que pertencemos ao Rei, no secreto e no público. O convidado da parábola estava dentro da festa, mas não honrou o pacto. Santidade de concerto é fidelidade diária, coerência espiritual, responsabilidade diante de Deus.
Quando essas três dimensões se unem, o chamado, o processo e o pacto, entendemos que santidade é estilo de vida. Não é uma performance religiosa; é a forma como o cristão respira, escolhe, reage e caminha. Não existe vida cristã verdadeira sem santidade, assim como não existe convidado legítimo sem a veste nupcial.
E hoje, mais do que nunca, o Senhor continua enviando Seu convite. Em meio a uma geração distraída, acelerada e sobrecarregada, Ele nos lembra que há um banquete preparado, e a santidade é o que nos mantém à mesa. A boa notícia é que Ele mesmo nos capacita a vestir essa roupa espiritual. Basta respondermos ao chamado, permitirmos o processo e honrarmos a aliança.
Que a nossa vida, e não apenas nossas palavras, revele a beleza da santidade. E que, quando o Rei entrar para ver os convidados, sejamos encontrados preparados, vestidos e firmes, vivendo diariamente um estilo de vida que glorifica o Seu nome.