Na Bíblia, a imagem da vinha e de seus frutos é usada não apenas como uma metáfora poética, mas como um espelho espiritual que revela a condição do nosso relacionamento com Deus. Em muitas passagens, o Senhor é apresentado como o cuidadoso Agricultor que planta, protege e espera frutos doces, mas, por vezes, encontra frutos amargos e inúteis. Por isso, antes de continuar a ler este texto, quero que faça a seguinte reflexão: o que mais Deus poderia fazer por você que Ele já não tenha feito?
Em Isaías 5:1-7, encontramos o “cântico do amado”, um texto que, à primeira vista, poderia anunciar festa e alegria como nas vindimas (celebrações cheias de dança e gratidão pela colheita da uva), mas que, na verdade, revela um lamento profundo. É o cântico amargo de um dono de vinha decepcionado, pois apesar de todo o cuidado, a plantação produziu uvas bravas.
Nessa passagem, Isaías conduz o povo a uma reflexão séria sobre suas atitudes, hábitos e comportamentos diante de Deus. A vinha, na teologia bíblica, representa a relação de aliança entre Deus e o Seu povo, assim fidelidade gera bons frutos e infidelidade resulta em juízo.
No mesmo capítulo (Isaías 5:1-2), vemos o cuidado meticuloso do Agricultor, observe: ele cavou a terra, retirou as pedras, escolheu as melhores mudas, construiu uma torre de vigia e preparou o lagar para o vinho. Nada foi deixado de lado e, por esse motivo, a expectativa era alta: colher uvas boas. Mas o resultado foi frustrante, pois surgiram uvas azedas.
O versículo 4 é o ponto central dessa advertência: “Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas?” Aqui, Deus conduz o Seu povo ao autoexame, assim como Natã fez com Davi ao contar-lhe uma parábola. O povo reconhece a sua falha e percebe que o julgamento do Senhor é justo.
A verdade é que Israel havia se corrompido pela desobediência, tornando-se uma nação paganizada e improdutiva. O que deveria ser fonte de bênção se tornou um lugar de frutos venenosos, azedos e de mau cheiro. Como consequência, a terra deixou de ser cultivada, a torre foi destruída e a cerca foi derrubada, assim a vinha ficou vulnerável a ladrões e perigos.
Jesus, em João 15, reafirma essa verdade dizendo: “Eu sou a videira verdadeira”. Sem Ele, nada podemos fazer. Permanecer n’Ele é a única forma de dar muito fruto. Por isso, precisamos entender que quem, mesmo plantado na Igreja, recebendo amor, cuidado e proteção, insiste em não frutificar, corre o risco de ser cortado.
Portanto, Deus já fez tudo por nós. Ele nos cercou de amor, nos deu a Palavra, o Espírito Santo e oportunidades para crescer e frutificar. Agora é a nossa vez de responder, produzindo frutos dignos do Seu cuidado.
Que não sejamos ramos de aparência, mas vides que, ligadas à Videira verdadeira, geram frutos doces que glorificam o Agricultor. Afinal, nós somos as melhores vides, e não vamos decepcionar o nosso Deus.