Vestidos de Cristo

imagem: envato

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“Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.” (Colossenses 3:12).

O tema: Vestidos de Cristo é, antes de tudo, um convite profundo, um chamado à santidade. Não se trata de algo simples ou superficial, que possa ser apenas verbalizado. Falar sobre santidade exige experiências vivenciais, decisões concretas, atitudes consistentes e uma fé firme como pilar de sustentação. É um caminho que se percorre com consciência, entrega e perseverança.

A verdade é que essas experiências acontecem no relacionamento de aliança que construímos com Deus e com o outro. O nosso modo de agir e reagir diante das inúmeras situações e adversidades da vida torna-se um verdadeiro termômetro da nossa busca pela santidade. É no cotidiano, nas respostas silenciosas e nas escolhas diárias, que revelamos se estamos, de fato, vestidos de Cristo.

Nesse contexto, é fundamental não confundir santidade com religiosidade. Enquanto a santidade aproxima o homem de Deus e do Seu propósito, a religiosidade o afasta, constrói relacionamentos adoecidos e o conduz a um lugar de ignorância quanto à verdade, que é a Palavra de Deus. Isso fica claramente evidenciado nos Evangelhos de Mateus 23, Marcos 3:20-30 e Lucas 11:37-44, quando os fariseus (religiosos da época), condenavam Jesus por Seus ensinamentos e ações.

Embora fossem profundos conhecedores da Lei de Moisés, a postura deles era legalista e gerava tensão diante da mensagem de Cristo. Eles O condenaram por enxergarem n’Ele uma ameaça à sua autoridade e à própria lei mosaica, ou seja, tinham conhecimento, mas não estavam vestidos de Cristo. Veja a comprovação desse fato em Marcos 3:20-23:

“E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás?” (Marcos 3:20-23).

Como cristãos, precisamos entender que decisões concretas estão diretamente ligadas à forma como enxergamos o mundo natural e espiritual. A aplicabilidade prática desse olhar revela o quanto carregamos, de fato, as vestes de Jesus Cristo em nós. É fato que estamos sujeitos a tomar decisões equivocadas na mesma proporção em que tomamos decisões corretas, mas o que faz a diferença e gera discernimento são os princípios de Deus que trazemos no coração.

Esses princípios só são adquiridos por meio da busca constante e da perseverança na leitura da Palavra de Deus, na oração e na comunhão com Ele e com o próximo. Veja o que nos é ensinado em Atos: “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.” (Atos 2:42).

Assim, atitudes consistentes revelam o nosso caráter em Cristo. A transformação da natureza adâmica para a natureza de Cristo começa em nós. O nosso proceder, nossas palavras e até o nosso olhar de gratidão têm o poder de transformar o ambiente em que estamos inseridos e, consequentemente, impactar a nossa vida e a vida do outro. É nesse processo que nos deparamos com vestimentas indispensáveis que Deus nos concede diariamente: a compaixão, a bondade, humildade, mansidão e a paciência. Essas devem ser as nossas vestimentas.

Refletido sobre isso, quero deixar uma pergunta que merece ser feita com sinceridade: até que ponto eu e você temos feito uso dessas vestimentas? Em Provérbios temos a resposta para nossa vida diária: “Não deixe de fazer o bem aos que dele precisam, estando em sua mão o poder de fazê-lo. Não diga ao seu próximo: ‘Vá e volte mais tarde; amanhã eu terei algo para dar’, se você tem isso em suas mãos agora.” (Provérbios 3:27-28).

Por fim, é importante ressaltar que a fé é base que nos alicerça e nos sustenta todos os dias. Fé é decidir confiar no que não é visível. É permitir-se chorar, não por falta de crença, mas por reconhecer que não somos apenas espírito: temos alma e corpo. Ainda assim, é manter a certeza de que a dor passa e que tudo ficará bem, porque é Deus quem dirige o leme.

As adversidades não surgem para nos destruir, mas para nos conduzir a um lugar chamado Altar, e é nesse lugar que encontramos as vestes que nos revestem e nos impulsionam a continuar. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.” (Hebreus 11:1).

Que este texto não seja apenas uma leitura, mas um convite à reflexão sincera. Vestir-se de Cristo é uma escolha diária, vivida no secreto e revelada nas atitudes. Que possamos, juntos, permitir que Ele nos revista por completo, por dentro e por fora, e nos conduza a uma vida que glorifique o Seu nome.

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