“Sê vigilante e fortalece o que resta, que estava para morrer.” (Apocalipse 3:2).
Há palavras que não surgem de forma apressada. Elas nascem no silêncio, amadurecem na oração e ganham forma na experiência. Esta é uma dessas palavras que tenho meditado nos últimos meses. Uma mensagem que fala sobre perdas, mas não se limita a elas. Fala, sobretudo, sobre aquilo que permanece depois do impacto, depois da dor, depois do desgaste. Fala sobre o que ainda resta, e sobre como Deus trabalha exatamente a partir disso.
A fé cristã nunca foi apresentada como um conto de fadas e nem tampouco um caminho isento de dificuldades. Seguir a Cristo não significa ausência de lutas, pelo contrário, muitas vezes, significa enfrentá-las com mais profundidade. Precisamos entender que Deus não está interessado em nos oferecer uma vida confortável, mas em formar em nós uma fé madura, resistente e perseverante.
Deus vê a sua reação e a sua fé quando o cenário muda, quando os recursos diminuem e quando as respostas não chegam no tempo esperado. Foi assim com Daniel, com os apóstolos e com o próprio Jesus. A fé verdadeira não se prova na facilidade, mas na permanência.
A verdade é que todos nós, em algum momento, experimentamos perdas. Perdemos pessoas, oportunidades, recursos, saúde, tempo. Há perdas visíveis e há aquelas silenciosas, que ninguém percebe, mas que drenam a alma por dentro. Muitas vezes seguimos funcionando, sorrindo, cumprindo agenda e rotinas, enquanto algo em nós vai se apagando aos poucos. E é exatamente nesse ponto que precisamos ter discernimento: não permitir que aquilo que se perdeu defina o que ainda pode florescer.
Vejo que o erro mais comum das pessoas após uma perda é tentar se agarrar ao que já se foi. Mas Deus não opera a partir do que acabou, Ele age a partir do que restou e a Escritura Sagrada nos mostra isso repetidas vezes, como por exemplo: a viúva socorrida por Elias tinha apenas um pouco de farinha; a viúva atendida por Eliseu possuía somente um pouco de azeite; um menino tinha cinco pães e dois peixes; Bartimeu era cego, mas tinha voz e audição. Observe que nenhum desses casos apresentados na Bíblia, as pessoas se concentraram no que faltava, todos colocaram diante de Deus aquilo que ainda possuíam, e foi exatamente ali que o milagre começou.
A Palavra de Deus é clara ao nos orientar: é tempo de fortalecer o que resta. No entanto, muitas vezes insistimos em gastar energia tentando ressuscitar o que já morreu. Relacionamentos encerrados, ciclos que se fecharam, estruturas que ruíram. O problema não é reconhecer a dor da perda, mas permitir que ela consuma também aquilo que ainda está vivo. Davi nos ensina isso quando perdeu o seu filho. Enquanto havia esperança, ele jejuou e orou, mas quando o menino morreu, Davi se levantou, se lavou e seguiu em frente. Ele compreendeu que era hora de cuidar do que permanecia.
Talvez o que restou pareça pequeno: um pouco de fé, um fio de esperança, um amor enfraquecido, uma disposição mínima para continuar. Ainda assim, isso é suficiente nas mãos de Deus. O Reino não avança pela quantidade, mas pela entrega. Acredite: o pouco que é cuidado, fortalecido e colocado diante do Senhor, se torna a base para algo novo.
Por isso, é fundamental não viver guiado por sentimentos, mas por princípios, pois as emoções oscilam, mas princípios permanecem. Veja o exemplo de Pedro, que falhou gravemente, mas foi restaurado porque havia verdade em seu coração. A ausência de confronto e correção adoece espiritualmente. Além disso, a murmuração rouba força, atrasa promessas e enfraquece a fé. Assim, aquilo que sai da nossa boca revela o estado do nosso coração: gratidão ou reclamação, louvor ou lamento.
Portanto, cuidar bem do que restou é uma decisão espiritual. É escolher proteger a fé, preservar os vínculos que permanecem, fortalecer a esperança e alinhar a fala àquilo que se crê. Por isso, seja cuidadoso, pois onde colocamos atenção, algo cresce, mas ao contrário, quando o foco muda, a postura muda, e quando a postura muda, o ambiente começa a ser transformado.
Creia, pois Deus continua sendo especialista em fazer nascer algo novo a partir das cinzas. O que restou não é o fim da história, é o ponto de partida do próximo milagre.
Dessa forma, decida hoje mesmo a fortalecer o que ainda está vivo, a cuidar da sua fé, do seu casamento, dos seus filhos, da sua esperança. Se sobrou um pouquinho, fortaleça! É exatamente aí que Deus começa a agir e os milagres começam a acontecer!
Deus te abençoe!