O retorno do pequeno herói

imagem: envato

9

Quando a porta da sala de aula se abriu no dia de retorno as aulas, o franzino garoto de apenas seis anos de idade não imaginava a festa que lhe aguardava. Primeiro foram os aplausos intensos combinados com os sorrisos eufóricos, depois os abraços e beijinhos na face. A mãe, orgulhosa, marejou os olhos quando leu a colorida e elogiosa faixa de boas-vindas ao filho, escrita em letras de forma, para que o próprio filho lesse, uma vez que ainda não domina a escrita cursiva.

Passada a euforia, a professora pediu para que a mãe contasse o motivo da festa, a razão pela qual o pequeno fosse recebido como um herói. Ela se recompôs da emoção, se posicionou à frente da lousa e contemplou por alguns segundos os olhos atentos das crianças. Pediu as pessoas que se acotovelavam à porta para adentrarem à sala de aula e começou o seu relato.

Talvez nem todos vocês saibam, mas não muito longe de nossa cidade existe um imenso lago que, há mais de vinte anos, é uma represa para uma usina geradora de energia elétrica. Ele se tornou uma atração para muitos turistas para passeios de lancha, e foi o destino que escolhemos para o nosso passeio no final das férias. Existem muitos condomínios e pousadas espalhados entre a mata às margens do lago. Coloquei o colete no meu filho e fiquei com seu irmãozinho de um ano no colo, contemplando a paisagem, apreciando a brisa da tarde.

No início do passeio, o tempo estava calmo, sem ventos fortes. No entanto, perto do por do sol, o tempo mudou rapidamente e ventos intensos começaram a assolar a nossa embarcação. De repente, a embarcação virou, provavelmente por causa da força dos ventos. A minha primeira atitude foi puxar meus filhos para perto de mim, mas estava difícil nos sustentar no flutuador. No meu desespero, empurrei esse meu pequeno herói para as margens da represa para que ele procurasse ajuda. Como ele era o único que usava colete salva vidas, confiei que se salvaria. Vi quando meu filho conseguiu flutuar e nadar até a margem e correr em direção a uma pousada.

Já era noite e eu não conseguia ver mais nada. Eu só conseguia chorar e gritar para que alguém me ouvisse. O coleguinha de vocês chegou à pousada e disse aos moradores que a lancha tinha virado e que a mamãe e o maninho estavam em perigo. Imediatamente eles acionaram o socorro e as autoridades foram avisadas. Meu pequeno filho, gesticulando e falando sem parar, conduziu os bombeiros ao local onde estávamos à deriva, o que tornou possível o resgate. Ele salvou a minha vida e de seu irmãozinho, concluiu a mãe com o rosto banhado em lágrimas.

O comovente relato recebeu palmas calorosas e as crianças maiores faziam perguntas sobre os outros ocupantes da lancha que naufragou. A mãe baixou a fronte, fez um breve silêncio, levantou a cabeça e desconversou, dizendo apenas: Hoje é dia de festejar a nossa sobrevivência! Vamos agradecer porque estamos aqui são e salvos!

A pequena criança agiu como um profeta, daqueles que revelam as tragédias humanas as quais, aliadas a um clamor sincero daquele que sofre, recebem o socorro necessário. Ele agiu ainda como um intercessor, que interferem no curso da história, muitas vezes provocando seu desfecho.

Que sejamos profetas e intercessores e vejamos milagres acontecerem. Todavia, quando nos chamarem de heróis, não esqueçamos de tributar a Deus todo a glória, pois, sem Ele, nada podemos fazer!

Compartilhe esse conteúdo!

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x