Há edições que começam em uma reunião de pauta. Outras surgem de uma conversa, de uma leitura, de uma inquietação. Esta começou enquanto eu ouvia uma Palavra ministrada na igreja. O pastor Irismar Queiroz falava sobre a ovelha que conhece e ouve a voz do seu pastor. Enquanto eu escutava aquela mensagem, uma frase começou a crescer dentro de mim: isso daria uma edição inteira da Revista Renascer. E, quase imediatamente, outras palavras começaram a se juntar a ela: voz, escuta, ouvir, obediência, palavra, silêncio, discernimento. Foi assim que nasceu a edição 127.
Talvez novembro também tenha ajudado a tornar esse tema ainda mais necessário. Estamos no penúltimo mês do ano. A essa altura, já acumulamos cansaço, muitas informações, inúmeras conversas, opiniões, notícias, cobranças, conselhos e decisões. Parece que, durante todo o ano, muitas vozes disputaram algum espaço dentro de nós. Há palavras que ouvimos dos nossos pais e nunca esquecemos. Frases de professores que atravessaram décadas. Conselhos de amigos que chegaram na hora certa. Algumas palavras foram ditas há muitos anos, mas ainda ecoam.
Foi então que uma pergunta me alcançou durante a construção desta edição: entre tantas vozes que ouvi ao longo da vida, quais permiti que definissem quem eu sou? Porque nem toda voz merece esse lugar. Nem tudo aquilo que disseram sobre nós corresponde ao que Deus diz a nosso respeito. Nem todo conselho deve determinar o nosso caminho. Nem toda opinião precisa ganhar autoridade sobre as nossas decisões.
Por isso, a nossa matéria de capa, “Quem tem ouvidos, ouça”, nos convida a pensar justamente nessa diferença entre simplesmente escutar e verdadeiramente ouvir. Em um tempo em que somos expostos a tantas informações, talvez o maior desafio não seja encontrar mais uma voz para seguir, mas silenciar o suficiente para reconhecer aquilo que Deus está dizendo.
Essa mesma reflexão continua no Café Teológico, com o Pr. Irismar Queiroz, justamente a partir da imagem do Bom Pastor e das ovelhas que conhecem Sua voz. Quanto mais conhecemos o Pastor, mais preparados estamos para reconhecer Sua direção e também para perceber aquilo que tenta nos afastar d’Ele.
Mas esta edição também me fez pensar na nossa própria voz. Na carta “Não tenha vergonha da sua voz”, há um chamado especialmente importante para mulheres que passaram muito tempo silenciando sentimentos, sonhos, opiniões e limites para agradar ou caber nas expectativas dos outros. Em Visão de Mercado, essa voz ganha outro significado. A pergunta é direta: “Sua empresa tem voz. Mas você sabe usá-la?” Ter uma boa ideia, conhecer profundamente um negócio ou possuir uma excelente solução não é suficiente se não conseguimos comunicar seu valor.
Já em Novos Dilemas, a reflexão segue quase na direção oposta: será que precisamos usar a nossa voz o tempo todo? “A obrigação de ter uma opinião” nos faz pensar sobre essa pressão para comentar, responder e escolher rapidamente um lado diante de praticamente tudo.
Enquanto esta edição tomava forma, percebi que falar sobre voz também é falar sobre silêncio. É falar sobre aquilo que escolhemos ouvir. Sobre o que permitimos permanecer dentro de nós. Sobre aquilo que decidimos declarar. E, principalmente, sobre quem terá a palavra final em nossa vida.
O meu convite, ao abrir esta edição, é que você não apenas leia estas páginas. Escute. Escute aquilo que pode confrontar você. Aquilo que pode curar. Aquilo que talvez precise ser revisto. E, acima de tudo, volte seus ouvidos para a voz do Pastor. Porque, entre tantas vozes disputando a nossa atenção, existe uma que conhece o nosso nome, sabe exatamente onde estamos e continua nos chamando para perto.
Boa leitura!
Marina Oliveira Lopes Coelho
Editora-chefe – Revista Renascer | Edição nº127