Há momentos em que preciso me lembrar de olhar além daquilo que os olhos conseguem alcançar. É muito fácil admirar uma árvore pelos galhos que se estendem, pelas folhas que permanecem verdes ou pelos frutos que aparecem no tempo certo. Mas nada disso existiria sem aquilo que a sustenta. E foi justamente essa imagem que me acompanhou enquanto preparávamos a 125ª edição da Revista Renascer.
Neste mês de setembro, em que uma nova estação se aproxima e a natureza começa, pouco a pouco, a ganhar novas cores, escolhemos olhar para a oliveira. Uma árvore tão presente nas Escrituras e carregada de significado. Mais do que olhar para seus galhos, porém, fomos convidados a pensar naquilo que os mantém vivos. Em Romanos 11:17-18, Paulo apresenta a imagem de ramos que foram enxertados na oliveira e passaram a participar de sua raiz. Há uma frase nesse texto que toca profundamente o meu coração: “Não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.”
Quantas vezes vivemos como se tudo dependesse de nós? Queremos crescer, florescer, produzir bons frutos, cuidar da família, realizar projetos, superar dificuldades e seguir adiante. E, sem perceber, podemos começar a acreditar que somos nós que sustentamos tudo. Mas um galho pode parecer forte e bonito por algum tempo; se não estiver ligado ao lugar certo, não conseguirá manter a vida que demonstra por fora. É por isso que esta edição fala, acima de tudo, sobre dependência de Deus.
A matéria de capa, “Enxertados na oliveira”, conduz-nos a compreender a beleza da graça que nos inseriu em uma história muito maior do que a nossa. Não chegamos até aqui apenas pela nossa capacidade. Somos sustentados por uma raiz que não plantamos. Recebemos vida, força e identidade daquele que nos alcançou e nos permitiu fazer parte. Essa reflexão atravessa as páginas desta edição de diferentes maneiras.
Em setembro, mês marcado pela conscientização sobre a valorização da vida, nossa entrevista “Por dentro, a vida pede cuidado” nos lembra de algo que considero indispensável: nem sempre conseguimos perceber, olhando apenas para o exterior, as batalhas que alguém está enfrentando. Há dores que acontecem em silêncio e, por isso, precisamos aprender a cuidar de nós mesmos e também a olhar com mais atenção para quem está ao nosso lado.
Esse cuidado ganha ainda mais significado no testemunho “Quando eu não tinha forças para orar”. É uma história que me emocionou justamente porque revela como Deus pode usar pessoas para nos sustentar nos momentos em que nossas próprias forças parecem ter acabado. Às vezes, quando já não conseguimos encontrar palavras para orar, existe alguém dobrando os joelhos por nós.
Também abrimos espaço para compreender melhor as Escrituras no Café Teológico, que nos leva ao Getsêmani, junto ao Monte das Oliveiras. Ali encontramos Jesus em um dos momentos mais intensos de Sua caminhada, ensinando-nos, por meio de Sua própria entrega, sobre oração, obediência e submissão à vontade do Pai.
Sei que há períodos em que olhamos para nossa vida e ainda não vemos os frutos que gostaríamos. Há sonhos esperando, respostas que parecem demoradas e processos acontecendo onde ninguém consegue enxergar. Por isso, em “Você vai florescer!”, nossa Querida Amiga traz uma mensagem de esperança para lembrar que o fato de ainda não vermos a flor não significa que Deus deixou de trabalhar. A primavera também nos ensina isso. Antes de qualquer flor aparecer, muita coisa já aconteceu longe dos nossos olhos.
Que, ao percorrer as páginas desta edição, você consiga olhar além dos galhos. Além daquilo que aparece, das conquistas que podem ser mostradas e até das dificuldades que parecem definir uma estação. Que você volte os olhos para a raiz e se lembre de quem realmente sustenta sua vida. E a minha oração para este mês é que eu e você permaneçamos ligados ao Senhor, reconhecendo que é d’Ele que vêm a força, a graça e a vida de que precisamos para continuar.
Boa leitura!
Marina Oliveira Lopes Coelho
Editora-chefe – Revista Renascer | Edição nº125