“Como a águia que desperta a sua ninhada, paira sobre os filhotes e depois estende as asas para apanhá-los, levando-os sobre elas. O Senhor sozinho o levou.” (Deuteronômio 32:11-12).
Deus, em sua infinita sabedoria e cuidado, muitas vezes nos encontra em lugares que jamais escolheríamos estar. Há momentos em que a vida parece uma região árida, um deserto cercado por ventos fortes, incertezas e situações que não conseguimos compreender. Ainda assim, é justamente nesses lugares que Deus nos guarda como a menina dos seus olhos. Ele nos protege, cuida de nós e, ao mesmo tempo, prepara-nos para crescer.
A imagem apresentada em Deuteronômio é muito significativa. Deus é comparado à águia que cuida dos seus filhotes, paira sobre eles e os prepara para o momento em que precisarão deixar o ninho. Existe cuidado, mas também existe preparação. Existe proteção, mas também chega o momento do voo.
Tudo começa no ninho. É nele que recebemos os primeiros cuidados, aprendemos, somos alimentados e encontramos segurança. Da mesma maneira, os ambientes em que crescemos ajudam a formar os nossos pensamentos, valores e caráter. Por isso, não podemos desprezar o ninho. Mas, o problema começa quando aquilo que deveria ser um lugar de formação se transforma em um lugar de acomodação.
Há momentos em que queremos permanecer onde tudo já é conhecido, onde dominamos as situações e não precisamos enfrentar o risco do novo. O ninho parece confortável porque ali sabemos como as coisas funcionam. Entretanto, permanecer nele para sempre significaria nunca descobrir a capacidade de voar. É justamente nesse ponto que, muitas vezes, Deus permite que algumas coisas sejam agitadas ao nosso redor.
De repente, aquilo que parecia estável muda. Pode chegar uma demissão, uma crise familiar, uma porta que se fecha, um relacionamento que passa por dificuldades ou um desafio que nunca imaginávamos enfrentar. Situações assim podem nos causar desconforto e até nos fazer perguntar: “Deus, por que isso está acontecendo comigo?”
Nem sempre conseguimos compreender imediatamente. Contudo, aquilo que enxergamos apenas como desconforto pode também estar nos conduzindo para um novo tempo de crescimento.
Há períodos em que Deus permite que o nosso “ninho” seja agitado porque já não podemos permanecer no mesmo lugar. Não porque Ele deixou de cuidar de nós, mas justamente porque conhece aquilo que ainda podemos nos tornar.
Assim como o filhote precisa sair da segurança do ninho para experimentar o voo, também existem momentos em que precisamos deixar para trás aquilo que se tornou confortável demais. Crescer exige movimento. Amadurecer exige mudanças. E viver os propósitos de Deus, muitas vezes, exige coragem para avançar sem conhecer todos os detalhes do caminho.
José do Egito é um exemplo disso. Em diferentes momentos de sua história, ele poderia ter acreditado que havia finalmente encontrado um lugar para permanecer. Na casa de Potifar, por exemplo, tornou-se responsável por tudo o que seu senhor possuía. Talvez aquela posição já parecesse uma grande conquista para alguém que havia sido vendido como escravo. Mas a história não terminou ali.
José ainda enfrentaria falsas acusações, prisão, espera e situações difíceis de compreender. No entanto, aquilo que parecia afastá-lo do propósito estava, na verdade, conduzindo-o até ele. Deus estava preparando José para uma responsabilidade muito maior: ocupar uma posição de governo no Egito e ser instrumento de preservação para muitas vidas.
Por isso, o lugar onde você está hoje pode não ser o lugar onde Deus pretende que você permaneça amanhã. Por isso, precisamos tomar cuidado para não transformar uma estação em destino. Há coisas que Deus nos entrega por um tempo, porque cumprem uma função específica em nossa formação. Depois, chega o momento de avançar.
Outro ponto importante que quero destacar é que o conforto, quando se transforma em acomodação, pode nos impedir de experimentar aquilo que está adiante. Podemos nos acostumar tanto com o conhecido que passamos a temer qualquer possibilidade de mudança. E, quando isso acontece, começamos a criar justificativas para permanecer exatamente onde estamos.
Por isso, discernir o tempo de Deus é tão importante. A Bíblia nos mostra que houve um tempo para Noé entrar na arca e também houve um tempo para sair dela. Permanecer na arca depois que Deus havia ordenado a saída já não seria obediência; seria resistência ao novo tempo.
Da mesma maneira, existem momentos em que Deus nos chama para permanecer e outros em que Ele nos chama para avançar. Precisamos desenvolver sensibilidade espiritual para reconhecer cada um deles.
Talvez, hoje, você esteja justamente vivendo um desses períodos. O ninho parece estar sendo agitado. Algumas coisas já não funcionam como antes. Há incômodos, mudanças e perguntas para as quais você ainda não encontrou respostas. Talvez Deus esteja fortalecendo suas asas.
Assim, seja cuidadoso e entenda que quando chegar o tempo de avançar, não permita que o medo faça você permanecer em um lugar que Deus já está lhe ensinando a deixar. Confie naquele que cuidou de você enquanto as suas asas ainda eram frágeis. O mesmo Deus que guardou o ninho continuará presente durante o voo. Acredite: Deus estará com você.
Deus te abençoe!