Ser mãe, é padecer no paraíso?

Estou no meio de uma cidade em um cenário apocalíptico onde zumbis estão correndo atrás das pessoas quando, de repente, uma mãozinha gelada encosta no meu ombro dizendo: “mãe, mãe, vem ver uma coisa”. Essa interrupção no meio de um pesadelo não acontece sempre e o susto que levei foi maior do que o do pesadelo.

Levantei da cama pensando que fosse um escape de xixi, meio incrédula, já que o meninão aqui está com 11 anos e esses escapes não acontecem mais. E no meio da madrugada, ele me mostra um pedaço do seu dente da frente que se soltou da resina que o dentista havia colocado a dois anos, quando ele bateu a boca durante uma partida de futebol com os amiguinhos.

Passado o susto da madrugada, pela manhã, liguei para o dentista que poderia nos atender somente no final da tarde. Era uma quinta-feira de feriado na nossa cidade e os planos de passar o dia todo no clube foram frustrados e ficamos em casa, Henrique meio banguela, e eu fazendo o que não havia planejado e estava tentando fugir naquele feriado: faxinando.

Esses acontecimentos imprevistos e inimagináveis não são raros na maternidade. Deus nos mostra claramente que não temos o controle de nada sobre os nossos filhos a partir do momento que o bebezinho é concebido em nosso ventre. Não conseguimos escolher o sexo, a personalidade, se vai gostar de alface, e nem se tirará somente as melhores notas na escola.

Não nos enganemos em achar que isso é um coisa ruim. Não ter o controle de nada em nossas vidas é exatamente a vontade de Deus para nós. Com a maternidade, Deus nos dá a oportunidade de dependermos somente d’Ele em tudo. Ao contrário, se você não está fazendo isso, você está cometendo o pecado do autoengano.

O autoengano é a crença de que sabemos por nós mesmos quem somos. A nossa identidade deve estar em Cristo e o que fizermos deve estar pautado na agenda da Glória de nosso Salvador.

A maternidade é o lugar ideal para cumprirmos essa agenda. Usar a Bíblia como manual de como ser mãe, fará toda a diferença. Você pode até procurar, mas não encontrará nenhum versículo sequer dizendo até quando você deve amamentar, ou até quando deve deixar a fralda noturna, ou se deve dar chupeta ou não. O que está realmente na Bíblia, além da suficiência de Deus em todas as áreas de nossas vidas, é como você deve inculcar os mandamentos Divinos em seus filhos. Deuteronômio 6:4-9 é um exemplo disso.

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas”.

Respondendo à pergunta do título deste artigo, ser mãe não é padecer no paraíso. Ser mãe é uma amostra de como serão nossas vidas quando Jesus voltar e nos levar para viver eternamente junto d’Ele no paraíso. Foi por isso que Ele sofreu na cruz e não devemos nos esquecer disso!

Ser mãe é descansar nos braços do Pai, sem se importar com dentes nascendo, resfriados, madrugadas em claro e dentes caindo. Esses dias serão difíceis, mas, que diante deles possamos sempre nos lembrar das promessas de Jesus para que tenhamos uma maternidade mais leve, porque Ele disse: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mateus 11:28-30).

Érica Veríssimo

Mãe, produtora de conteúdo no perfil: @teologiafraldaepao

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Patrícia Guimarães
Patrícia Guimarães
11 meses atrás

Que texto precioso! A escritora é maravilhosa mil milhões

yanara
yanara
6 meses atrás

Cura para alma, um afago do céu para nos mães esse texto

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