“O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada; ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão.” (Salmos 37:23-24).
Ao longo da vida, Deus coloca pessoas em nosso caminho que transformam completamente a nossa história. Às vezes, elas chegam quando tudo parece perdido, trazendo um novo sentido para continuar. Olhando para trás, percebo que, em meio às maiores dores que vivi, Deus já estava escrevendo um novo capítulo para mim. Hoje entendo que a maior prova do Seu cuidado não foi apenas me livrar da morte ou restaurar minhas forças, mas colocar em minha vida alguém que se tornou a razão de muitos dos meus recomeços.
Meu nome é Lígia Beatriz Rodrigues Costa, tenho 47 anos e, no dia 19 de agosto, completarei 49. Tenho uma linda filha chamada Amanda Rodrigues Capeleti, hoje com 17 anos. Ela é a pessoa que Deus colocou no meu caminho para mudar completamente a minha história.
Nasci em um lar cristão e congrego na Igreja Batista Renascer há aproximadamente dez anos. Amo minha igreja, meus pastores e me sinto muito acolhida. Minha história de dor começou há muitos anos. Aos 20 anos perdi o meu irmão caçula, e aquela perda marcou profundamente a minha vida. Foi nesse período que descobri uma depressão gravíssima.
Poucos anos depois, aos 23 anos, outro sonho foi arrancado de mim. Eu desejava me casar virgem e construir uma família, mas fui vítima de um estupro. Foi também nessa época que tive a minha primeira crise de pânico. Naquele tempo pouco se falava sobre esse transtorno e, por isso, não recebi o diagnóstico correto. Passei por tratamentos com psicólogos, mas nada parecia aliviar a dor que eu carregava.
Mais tarde comecei um relacionamento com o pai da minha filha. Ficamos juntos durante seis anos, mas nunca nos casamos. Foi um período muito difícil, marcado por traições, agressões psicológicas, humilhações e pela convivência constante com as amantes dele.
Quando ainda era mais jovem, também recebi um diagnóstico médico de ovário policístico e útero retrovertido. Os médicos afirmaram que eu não poderia engravidar naturalmente, apenas por inseminação ou fertilização in vitro. Mas Deus tinha outros planos.
Entre os anos de 2002 e 2004, tentei tirar a própria vida três vezes. Hoje reconheço que, em todas elas, Deus me livrou. Em 2007 fiz uma oração muito sincera ao Senhor. Pedi que Ele fizesse o pai da minha filha casar-se comigo para que eu pudesse voltar a ter comunhão com a igreja ou que, definitivamente, o retirasse da minha vida. No ano seguinte, Deus respondeu de uma maneira completamente diferente da que eu imaginava. Em 2008 engravidei naturalmente. Quando descobri a gravidez, não cabia em mim de tanta felicidade. Deus realizou o maior sonho da minha vida. Ele me deu o meu coração fora do peito, minha companheira, minha amiga. Quando era mais nova, dizia que, se tivesse uma filha, ela se chamaria Maria Clara. Mas Deus é tão perfeito que, quando soube que esperava uma menina, foi Ele quem colocou em meu coração o nome Amanda, que significa “amada por todos”.
Minha gestação foi considerada de alto risco. Aos cinco meses precisei permanecer em repouso absoluto para evitar um parto prematuro. Mesmo assim, Amanda resolveu fazer a sua estreia um mês antes do previsto. No dia 27 de novembro de 2008, quando ela nasceu, os médicos me informaram que precisaria permanecer pelo menos trinta dias na UTI Neonatal. Ainda no centro cirúrgico, ela sofreu três paradas respiratórias porque seus pulmões ainda não estavam totalmente desenvolvidos. Naquela época eu congregava em outra igreja. Liguei para o meu pastor, que orou comigo e me disse que Deus tinha um plano maior e que minha filha não permaneceria todo aquele tempo internada. E foi exatamente assim que aconteceu.
Depois de apenas cinco dias na UTI, Amanda recebeu alta. Hoje ela é uma jovem saudável, cheia de vida e uma grande bênção para mim. Anos depois, quando Amanda tinha cerca de dez anos, vivemos outro grande susto. Ela estava na casa de uma prima, em um condomínio, e desapareceu por mais de quatro horas. Quando cheguei do trabalho e soube do ocorrido, entrei em desespero. Com a ajuda do Pastor Leonardo Calembo e da Pastora Bárbara Calembo conseguimos encontrá-la. Foi nesse período que finalmente recebi o diagnóstico de síndrome do pânico.
Ao olhar para toda essa caminhada, percebo que Deus nunca me abandonou. Ele esteve presente em cada livramento, em cada oração respondida e em cada recomeço. Mas, acima de tudo, colocou Amanda no meu caminho para transformar a minha história. Ela foi a prova viva de que Deus ainda realizava milagres, restaurava sonhos e me dava motivos para continuar vivendo.
Hoje entendo que Deus continua escrevendo a nossa história mesmo quando tudo parece perdido. Muitas vezes, Ele usa pessoas para restaurar aquilo que a dor tentou destruir. No meu caso, essa pessoa foi a minha filha. Ela não apenas realizou o maior sonho do meu coração, mas também me mostrou, todos os dias, que Deus é especialista em transformar lágrimas em esperança e recomeços em testemunhos de fé.