Querida amiga,
Oi! Quanto tempo sem nos falarmos depois daquele nosso café! Você conseguiu apresentar tudo o que tinha em mente sobre o seu projeto? Eles aceitaram a sua proposta inovadora? Eu estava aqui, em sala de aula, quando ouvi mais uma aluna comentando que não gostava de se ouvir cantando. Na mesma hora, me lembrei das nossas conversas sobre a infância, de quando tantas vezes precisávamos engolir o choro ouvindo a tão famosa frase: “Deixe de ser tão dramática!”
Comecei, então, a refletir sobre o quanto situações assim impactaram as nossas vidas. Engolir o choro significava, muitas vezes, engolir também aquilo que incomodava, negar a frustração e calar a dor. Significava aceitar o que era imposto, sem refutação, sugestão ou opinião.
Sim, minha amiga, eu sei. Também passei por isso: silenciar para agradar. Crescemos condicionadas a fazer isso, tentando entrar nos padrões estabelecidos e caber em uma brecha que talvez nos oferecesse aceitação e afeto. Talvez.
E, enquanto isso, passamos parte de nossas vidas criando ideias, traçando soluções, ajudando outras amigas, incentivando os sonhos dos nossos filhos e nos alegrando com as conquistas de outras pessoas. Mas, quando olhamos para nós mesmas, muitas vezes encontramos nossos próprios sonhos e planos paralisados pelo silêncio, pelo medo da repreensão, da crítica maldosa e daquela conhecida frase: “Você com essa ideia de novo?”
Sabe, amiga, dizer basta àquilo que fere e diminui também é clamar por si mesma. É dar voz às suas ideias e aos seus sonhos. É reconhecer valor na sua própria vida. Sim! Dar valor à sua vida. As pessoas te amam por quem você é, e não pelo que você permite que façam com você.
Por isso, não tenha medo de algum afastamento por estabelecer seus limites, expressar suas ideias ou dizer aquilo que incomoda. Não tenha medo por decidir que não quer mais “engolir o choro” ou por escolher opinar com respeito. Porque, sim, você aprendeu o valor do respeito, por si mesma e pelos outros. Então, minha amiga, fale. Não tenha vergonha da sua voz. Diga em alto e claro tom aquilo que precisa ser dito.
Escrevo esta carta para lembrar você de uma coisa: não desista! O Senhor te deu voz, te capacitou, te fez sair de uma brecha que nunca te coube e te colocou em um lugar grande, sem barreiras, para que você voe muito alto. “… Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a voz como a trombeta e fale…” (Isaías 58:1). “Não te enviei eu? Sê forte e corajosa; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.” (Josué 1:9).
Você é mais corajosa do que imagina. E espero receber notícias suas em breve.
Com carinho,
Sua amiga.