A geração sem referência

imagem: envato

Uma geração com muitos estímulos, muitos presentes, mas pouca presença e poucas referências de qualidade. Aquilo que deveria ser ensinado e acolhido pela família, muitas vezes é substituído pela internet. As redes sociais manipulam, direcionam, e influenciadores digitais acabam instruindo e convencendo crianças, adolescentes e jovens sobre como pensar, agir e sentir.

É aí que mora o perigo. Pais que mal conversam entre si e se comunicam com os filhos apenas sobre o necessário. Filhos que não se sentem emocionalmente seguros para compartilhar o que vivem ou sentem. Pais que também foram criados por outros pais que não aprenderam a lidar com as próprias emoções e, sem perceber, repetem padrões, criando filhos com dificuldades emocionais semelhantes. Soma-se a isso a falsa ideia de que morar na mesma casa significa ter intimidade e conhecer verdadeiramente o que acontece na vida do outro. A verdade é que estamos confundindo convivência com conexão emocional.

Diante da fragilidade, da negligência, da ausência ou do distanciamento dos vínculos familiares, surge uma pergunta inevitável: quem está educando quem? E como ensinar alguém a reconhecer, expressar e regular suas emoções se nós mesmos fomos pouco ensinados sobre isso? Ao mesmo tempo, cresce a influência das redes sociais, das tecnologias, da indústria midiática e dos influenciadores digitais na construção de valores e crenças, formando crianças, adolescentes, jovens e adultos hiperestimulados e, ao mesmo tempo, emocionalmente anestesiados. Pessoas que deixam de perceber a si mesmas e a qualidade, ou a fragilidade de seus relacionamentos e de suas referências.

Como consequência, vemos uma geração emocionalmente frágil, desconectada, insegura, dependente de estímulos constantes e da busca por dopamina, com dificuldade para lidar com o tédio, com os limites e com as frustrações. Investe-se muito no externo e no material, mas pouco no mundo interior e nas relações. Crescem as dificuldades nas habilidades sociais, no autoconhecimento e na capacidade de perceber e compreender as próprias emoções e também as do outro.

  • Mas, afinal, como podemos mudar essa realidade?

Talvez um bom primeiro passo seja diminuir o tempo diante das telas e dedicar mais tempo para conhecer a si mesmo, compreender as próprias emoções e, quando necessário, buscar ajuda profissional por meio da terapia. Esse processo possibilita transformar e ressignificar ciclos familiares disfuncionais, favorecendo uma relação mais saudável consigo mesmo e com as pessoas ao redor.

Também é fundamental escolher com sabedoria as pessoas com quem convivemos e construímos relacionamentos mais próximos. Estar cercado por pessoas emocionalmente saudáveis contribui significativamente para o fortalecimento da nossa saúde mental e do nosso sentimento de pertencimento.

A Psicologia nos mostra que vínculos afetivos saudáveis e o sentimento de pertencimento são importantes fatores de proteção para a saúde mental e também para a prevenção do suicídio. Precisamos nos conectar mais, não apenas virtualmente, mas presencialmente. Precisamos conversar mais, ouvir com atenção, olhar para as nossas emoções e para as emoções de quem está ao nosso redor. Precisamos abraçar mais, estar verdadeiramente presentes e inteiros em nossos relacionamentos.

Talvez o que nos falte sejam exatamente essas pequenas mudanças: menos distrações, mais presença; menos estímulos, mais conexão. E que essa transformação comece em nós e se estenda às pessoas que caminham ao nosso lado.

Então, o que realmente importa na sua vida? E será que você tem priorizado isso na sua rotina e no seu dia a dia? Pense nisso.

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