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Melhor idade – Os desafios de superar o passado

Melhor Idade.

Carlos Drummond de Andrade já escrevia em seus dias que: “Há duas épocas na vida, infância e velhice, e que a felicidade está numa caixa de bombons”. Escrever sobre os dias que se passaram e a esperança no presente e no futuro em uma sociedade que está envelhecendo, não é uma tarefa fácil.

Hoje o índice de envelhecimento populacional é um fenômeno não só nacional, como também mundial. No último censo chegou-se a uma população de 20,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos. A partir de então, a sociedade começou, já tardiamente, a elaborar programas visando à terceira idade. Mas para que possamos aprofundar neste tema, precisamos desmistificar alguns mitos tão difundidos em nossa sociedade.

Como pastor da terceira Idade e já bem inserido nela, tenho ouvido de alguns dos nossos idosos a reclamação de alguns mitos, os quais serão debatidos ao longo do texto.

1. O mito da velhice

            Vivemos num país espetacular, de um povo, que mesmo nas adversidades, mostram-se guerreiros, sabem contornar os problemas, como vimos recentemente nas olimpíadas, com um calor humano invejável. Entretanto, o Brasil é um dos principais países do mundo na liderança do preconceito contra os idosos. O mito da velhice induz a pessoa a crer que, depois que se completa 60 anos, já não vale a pena viver; é alguém que começa a caminhada final da existência, caminhando ladeira abaixo, perdendo assim o seu valor. Este mito causa dois problemas principais:

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Pr. Ubirajara Oliveira Condeixa Líder do Ministério da Melhor Idade da Igreja Batista Renascer

– O primeiro problema é que é vedado aos idosos a oportunidade de permanecerem ou voltarem ao mercado de trabalho. Haja vista, que quando uma empresa contrata pessoas nesta faixa etária, é motivo de reportagem especial, com destaque na imprensa.

– O segundo problema é que a maioria que se encaixa nesta faixa etária, se acomoda diante da pressão. Muitos são tratados como improdutivos, não somam mais, não sabem sonhar,  alegam que já perderam a paixão pela vida e lhe restam somente um banco na praça ou um cantinho na igreja. Nisso tudo, me alegro quando vou me consultar com o “velho” Apóstolo Paulo, que no texto em Romanos 12. 1-2, ensina-nos a renovar a nossa mente para não cairmos no ostracismo e na letargia.  Por experiência própria, recomendo a leitura, os passeios ao ar livre e a contemplação do simples e do belo. E não podemos deixar de lembrar o que o próprio salmista no Salmo 92 afirmou: “Na velhice ainda darão frutos; e florescentes…”. Enfim, ainda estamos vivos!

2. O mito da deficiência do vigor

Não sei de onde vem esta imagem, pois a Bíblia caminha em sentido contrário, pois ela nos mostra que a falta de energia é o resultado de falta de fé e confiança em Deus. Moisés é um exemplo, pois foi chamado por Deus para tirar o povo do Egito com 80 anos. Creio que até poderia ser um homem cansado, pelos anos no deserto, na lida de sol a sol. Mas no momento que ele confiou no Senhor as suas forças se renovaram e ele pôde conduzir o povo pelo deserto, no cuidado e na sombra do Altíssimo.

Podemos falar também do velho e bom Calebe, que requereu de Josué as terras que lhe haviam sido prometidas. Ele demonstrou que aos 85 anos ainda tinha muito vigor. Nos dias de hoje temos muitos idosos em pleno vapor, seja na política, no mercado de trabalho ou no ministério. Há idosos que estão ativamente produzindo, atualmente, estão fazendo todo tipo de viagens, de cursos, estão lecionando e engajados em atividades sociais.

3. O mito da cabeça fraca

A própria ciência tem ido contra este mito de que os velhos possuem uma mente em que os neurônios e células vão se desgastando com a idade. Os cientistas cada dia mais tem descoberto que é possível regenerar e desenvolver as células do cérebro, assim como de outras partes do corpo.

4. O mito do fim da linha

A Bíblia nos diz que a cada manhã as misericórdias do Senhor se renovam em nossa vida. A idade não serve de parâmetro para não se sonhar mais. Pois nunca existirá um dia igual ao de hoje, e certamente amanhã será um novo dia. E os nossos dias que caminham para o fim, é para nós, uma certeza para onde iremos. Por isso, cremos no Senhor Jesus, e cremos no sacrifício que padeceu naquela cruz. Entretanto, ao terceiro dia Jesus ressuscitou para nunca mais morrer. É nisto que se baseia a nossa viva esperança, por isso o mito do fim da linha não existe.

Termino este artigo com as palavras de George Santayini: “O moço que não chorou é um selvagem, e o velho que não riu é um tolo.” Tomo emprestado alguns conselhos, que bastaria que tomássemos como regra para nós, de agora em diante:

  1. Não leve a vida muito a sério.
  2. Cultive a alegria e o bom humor.
  3. Não aceite a ideia de “coitadinho”, não tenha pena de si mesmo.
  4. Pratique atividades físicas.
  5. Cultive os amigos. Por que não passarmos mais momentos na igreja e nas praças, jogando conversa fora?
  6. Leia, leia muito e continue crescendo em conhecimento e sabedoria e vamos continuar assim, aproveitando as caixas de bombons e as demais alegrias que o Senhor nos proporcionará.

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