“Ou você constrói os seus sonhos ou vai acabar sendo contratado para construir os sonhos de alguém.” A frase de Tony Gaskins resume bem um princípio do empreendedorismo: se você não tiver um plano claro para o seu futuro, fará parte do plano de outra pessoa. Até aqui não existe nenhuma complexidade. O empreendedor brasileiro tem uma capacidade criativa extraordinária para sonhar e colocar ideias no papel. Mas, como a proposta aqui é ser direto, já deixo a primeira provocação: uma bacia de ideias vale dez centavos.
Todos os dias alguém acorda com uma ideia que acredita ser capaz de mudar o mundo. A pergunta é: quantas realmente saem do papel? O medo do incerto enterra inúmeros negócios que poderiam contribuir com a sociedade. Ainda assim, precisamos reconhecer o potencial empreendedor do nosso país. Segundo o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizado pelo Sebrae, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em população potencial empreendedora, atrás apenas da Índia. São cerca de 47 milhões de brasileiros envolvidos com alguma atividade de negócios.
Por outro lado, a taxa de mortalidade das empresas continua assustadora. De acordo com o IBGE, mais de 60% delas encerram suas atividades antes de completar cinco anos. E é justamente aqui que precisamos entender o que faz um negócio permanecer.
Uma boa ideia, por si só, não vale nada se não for executada. E faço uma segunda provocação: muitas empresas fracassam justamente porque nasceram apenas de uma ideia. Por mais brilhante que ela pareça, normalmente faz sentido apenas para quem a criou. O que faz uma empresa prosperar não é a percepção que o empreendedor tem do próprio negócio, mas o desejo de compra dos seus clientes. Empresas sólidas surgem para resolver problemas reais. Por isso, apegue-se menos às suas ideias e mais às dores e necessidades das pessoas. São elas que sustentam qualquer negócio. Quando esse fundamento está claro, surge a pergunta: existe uma fórmula para construir uma empresa que permaneça?
Eu acredito que sim: Sucesso = meta alcançável + plano de ação exequível + liderança forte.
Não há nada de mágico nisso. Estamos falando apenas do básico, mas é justamente o básico que muitas empresas deixam de fazer. Enquanto buscamos atalhos e soluções extraordinárias, negligenciamos aquilo que realmente sustenta o crescimento.
E aqui deixo uma terceira provocação: se você construiu um negócio que depende exclusivamente de você, na verdade não construiu uma empresa; construiu um emprego. Para quem deseja ter um CNPJ que permanece, essa deveria ser uma das maiores preocupações.
Uma empresa se torna independente quando o conhecimento deixa de estar apenas na cabeça do dono. Processos precisam ser registrados, organizados e documentados de forma simples e acessível. Assim, contratar, treinar ou substituir alguém deixa de ser um problema e passa a fazer parte da rotina do negócio. Jamais ficar refém do conhecimento de uma única pessoa é uma regra de ouro para qualquer organização que deseja crescer de forma sustentável.
Tudo isso é apenas um direcionamento, mas a decisão continua sendo sua. Construir uma empresa que sobreviva às estatísticas do IBGE exige desapego da própria mente e compromisso com execução, processos e pessoas.
Portanto, saia do papel de funcionário do seu próprio negócio. Sistematize o seu conhecimento, fortaleça sua equipe e construa uma estrutura capaz de caminhar mesmo quando você não estiver presente.
Afinal, se o objetivo era construir o seu sonho, certifique-se de que você não criou apenas uma gaiola com o seu nome na porta. Um CNPJ que permanece é construído todos os dias, por meio da execução consistente e de uma liderança que prepara o negócio para ir além do seu fundador.