O perfeccionismo e suas consequências

Na era pós-moderna do século XXI, a inteligência artificial e as tecnologias avançadas na área de diagnósticos de saúde têm influenciado a cultura, incluindo a aplicação de testes psicológicos e o impacto dos influenciadores na formação da opinião pública. A verdade é que vivemos um período de ansiedade generalizada, impulsionados por um ritmo frenético que nos exige realizar múltiplas tarefas simultaneamente.

Esse cenário pode fomentar o desenvolvimento de traços de perfeccionismo e pensamento repetitivo negativo (PRN), categorizado na Classificação Internacional de Doenças (CID) sob o código F60.5, como um Transtorno da Personalidade. Esse transtorno é caracterizado por dúvidas persistentes, autoavaliação negativa e uma rigidez excessiva.

Em 2006, os especialistas J. Stoeber e K. Otto descreveram o perfeccionismo como uma “luta constante pela ausência de falhas e criação de metas altas e irreais”. Freud, em 1919, observava que esses sintomas são semelhantes a uma máscara que oculta sentimentos de insegurança e inadequação social originados na infância. Em 1927, Donald Winnicott descreveu o fenômeno da “falsa self”, como sendo uma condição que surge quando uma criança, carente de aprovação, busca de forma compulsiva e inconsciente essa validação.

A verdade já constatada é que esse padrão de comportamento, se não resolvido, pode persistir na vida adulta, levando ao desenvolvimento de diversos sintomas psicológicos, como: ansiedade, frustração, cansaço mental e físico, práticas obsessivas e repetitivas, transtornos alimentares, emoções negativas e atos de violência autoprovocada, como automutilação e autoextermínio, podendo manifestar-se de forma isolada ou combinada.

Nesse contexto, é recomendado que as intervenções preventivas e de apoio comecem na infância, envolvendo um olhar compreensivo por parte da família, colegas de escola, membros do ambiente corporativo e integrantes de comunidades de fé. Além disso, a intervenção de um psicólogo é indispensável, sendo também necessária a participação de um psiquiatra e de outros profissionais da saúde.

No ambiente terapêutico onde atuo, caracterizado por ser acolhedor e validador (validando a dor do paciente), a hipótese diagnóstica não é tratada de forma isolada, mas de maneira transdiagnóstica, considerando-a junto a outros processos psicossociais.

Assim, o tratamento terapêutico busca melhorar a qualidade de vida das pessoas como um todo, fomentando o autoconhecimento e a autogestão emocional, o que resulta em comportamentos mais saudáveis, incluindo a melhora do perfeccionismo. Por isso, não resista em procurar ajuda para as suas emoções.

Roberto Alves

Psicólogo Clínico CRP – 09/18228. Professor no Curso de Psicologia da UniEVANGÉLICA. Atendimento presencial e online. Contato: (62) 9 94181069.

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