“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio.” (Salmos 90:12).
Imagine receber a certeza de que você teria apenas mais um mês de vida. Não seria uma possibilidade, um diagnóstico duvidoso ou uma previsão médica. Você saberia, sem nenhuma dúvida, que teria somente mais trinta dias. O que mudaria? Com quem gostaria de passar mais tempo? A quem pediria perdão? Quem precisaria ter certeza de que você o ama? Quais problemas deixariam de parecer tão importantes? Quais relacionamentos tentaria restaurar? E talvez a pergunta mais importante seja: o que impede você de fazer tudo isso hoje?
A vida passa muito rápido. O ontem já se tornou história, o amanhã continua sendo um mistério e o hoje é o presente que recebemos de Deus. A questão não é somente viver muitos anos, mas viver bem. Todo mundo, em algum momento, morrerá, mas nem todo mundo realmente vive. Há pessoas que apenas sobrevivem, carregando mágoas, conflitos, culpas e relacionamentos quebrados, sem perceber que uma das maiores riquezas da vida está justamente nas pessoas que Deus colocou ao seu redor.
Não importa quanto dinheiro possuímos, onde moramos ou qual patrimônio construímos. O dinheiro não nos abraça, não diz que nos ama, não enxuga nossas lágrimas e não permanece ao nosso lado nos momentos mais difíceis. Quem faz isso são as pessoas. Às vezes, um abraço, uma mensagem, um telefonema ou uma simples demonstração de cuidado muda completamente o nosso dia. Fomos criados para viver em relacionamento.
É claro que relacionar-se não é fácil. Existem expectativas frustradas, decepções, traições, mágoas, mentiras e mal-entendidos. E essas coisas não acontecem somente fora da igreja. Elas também acontecem dentro dela, porque a igreja é formada por gente. Eu mesmo posso ter frustrado alguém em algum momento, deixado de corresponder a alguma expectativa ou decepcionado uma pessoa sem perceber. Isso faz parte da nossa humanidade.
Ser cristão não significa viver o tempo todo sorrindo ou fingindo que não existem dias difíceis. Significa permitir que Deus trabalhe em nosso caráter também por meio das dificuldades. Talvez, se soubéssemos que temos somente mais um mês, procuraríamos quem amamos, resolveríamos algumas pendências e demonstraríamos nossos sentimentos. Mas por que esperar uma notícia ruim para começar? Por que esperamos as pessoas morrerem para lhes oferecer flores?
Relacionamentos exigem investimento. Precisamos dedicar tempo, atenção, cuidado e presença. O amor não pode ser comprado, mas possui um preço alto: o sacrifício. Nós amamos, nos casamos e descobrimos que um relacionamento tão íntimo também pode ser doloroso. Criamos filhos, investimos neles e, depois, eles crescem e seguem seus próprios caminhos. Construímos amizades, mas as pessoas mudam de cidade, de emprego ou entram em uma nova fase da vida. Não deixamos de amá-las, mas sentimos a ausência porque já não podemos estar com elas da maneira que gostaríamos.
Relacionamentos fortes não são construídos apenas por grandes acontecimentos. São sustentados pelas pequenas atitudes amorosas praticadas todos os dias. Uma mensagem, um abraço, uma palavra de encorajamento, uma ligação ou um simples “estou lembrando de você” podem parecer pequenos, mas significar muito para alguém.
Ao acompanhar pessoas que estavam chegando ao fim da vida, eu pude perceber que muitas delas finalmente se sentiam motivadas a dizer a verdade e resolver pendências. A verdade é que quando nos lembramos de que nossos dias estão contados, começamos a enxergar a vida de outra maneira. Por isso, precisamos mudar enquanto existe tempo. Precisamos ser mais amáveis, justos, tolerantes, gratos, verdadeiros, generosos e compassivos, e menos críticos.
Isso tem relação direta com a vida cristã. Não é a quantidade de versículos que conhecemos nem o número de cultos dos quais participamos que demonstra a nossa transformação. Ela também é percebida na maneira como tratamos as pessoas. O que torna a vida cristã extraordinária é a presença de Deus agindo em nós e transformando o nosso caráter.
Um exemplo desse princípio é José, que quando soube que Maria estava grávida, logo imaginou que havia sido traído. Dessa forma, se ele a denunciasse publicamente, ela poderia ser condenada. Entretanto, decidiu deixá-la secretamente. Ele preferiu carregar as consequências daquela decisão a expor Maria. Esse é o comportamento de quem ama: quem ama se entrega, protege e não procura fazer justiça destruindo o outro.
Assim, o verdadeiro cristianismo possui marcas claras: compaixão, cuidado, serviço, entrega e perdão. Jesus não veio ao mundo para matar por amor. Ele veio para morrer por amor. A escuridão não vence a escuridão; somente a luz pode vencê-la. O ódio não vence o ódio; somente o amor consegue vencê-lo. Isso é ser igreja.
Por isso, se você tivesse apenas um mês para viver, o que faria diferente? Esta é uma reflexão para nos lembrar de que a vida é curta e passa rapidamente. E, justamente porque não sabemos quanto tempo temos, precisamos aprender a valorizar o hoje. Portanto, descomplique a vida. Não transforme pequenos problemas em guerras intermináveis. Passe mais tempo com quem você ama. Diga às pessoas o quanto elas são importantes. Resolva as pendências que ainda podem ser resolvidas. Perdoe. Peça perdão. Faça o bem sem esperar reconhecimento e permita que o Espírito Santo governe seu caráter e seus relacionamentos.
Deus te abençoe!