Sem fé, o que seria de mim?

“Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve: ‘Aquele que vem virá e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele’. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos”. (Hebreus 10:35-39).

É conhecido por todos que vivemos em momentos de crise. Afinal, basta acompanhar por cinco minutos o noticiário em qualquer mídia que veremos notícias de crise na saúde global, crise financeira e política. Além disso, ainda temos visto os recentes conflitos bélicos entre povos. Tudo isso acontece ao mesmo tempo em que cada pessoa tem que lidar com as suas próprias questões e problemas diários.

Diante disso, resta uma reflexão: qual é o papel da fé na vida de alguém e como a presença ou ausência dela afeta a forma como as pessoas enfrentam os períodos de tempestade?

Em tempos de crise, o que acontece com uma pessoa sem fé? A resposta: desesperança, desespero ou desilusão. Isso porque o indivíduo sem fé se apega apenas em coisas terrenas, visíveis e que se podem alcançar apenas pelo esforço e trabalho próprio.

É válido destacar que aquele que não tem fé não percebe essa ausência, pois ele não só caminha para uma vida sem propósito, como também para a condenação eterna no final de tudo.

Por outro lado, independentemente de qualquer crise ou tempestade, uma vida mesmo que “tranquila”, porém sem fé, não tem sentido verdadeiro. Seu objetivo é passageiro, frágil.

No entanto, podemos observar um fato curioso. A verdade é que durante momentos de tempestade o homem sem fé realmente pode crer em muitas coisas para suportar as pressões que lhe são investidas. Tal crença, porém, está muito mais ligada à própria pessoa e ao seu esforço em produzir algo a partir de si mesmo. Explicarei como isso acontece na prática  no decorrer deste texto.

Há muitas obras, inclusive livros e filmes, que abordam este  tema. O livro “The Secret”, da autora Rhonda Byrne é um exemplo. Por meio dele, o leitor conhece a “lei da atração”, técnica essa que estipula que você é capaz de atrair aquilo em que acredita por meio da força de seus pensamentos, porque mente e universo estão conectados.

Perceba que milhares, para não dizer milhões de pessoas, buscam esse e outros tipos de doutrinas para aprenderem a lidar com suas crises. Trata-se de um simulacro (isto é, uma representação ou imitação) muito vil de fé, que faz com que pessoas vivam envoltas na expectativa e ilusão de que a sua mentalidade positiva produzirá algo no universo que afetará as circunstâncias adversas.

A fé verdadeira não é o ato de mentalizar ou acreditar que tudo vai dar certo. Não é concordância mental, tampouco acreditar simplesmente na existência de Deus. Tudo o que se precisa aprender sobre fé está escrito na Bíblia, a começar pelo seu conceito:

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”.
(Hebreus 11:1).

Ou seja, a fé é a certeza de que as coisas que não se veem são tão reais como tudo aquilo que você enxerga, ouve, sente ou toca. Trata-se de uma confiança inabalável naquilo que Deus nos promete em Sua Palavra. A certeza do seu cumprimento não depende do esforço daquele que acredita, mas da palavra que foi lançada por Aquele que prometeu.

Observe a diferença: a fé faz com que o homem não deposite confiança em seu esforço intelectual ou qualquer conduta mística. Ao contrário disso, o homem é liberto de suas convicções efêmeras, de sua própria pequenez, sendo encaminhado a uma vida com propósito.

De fato, a fé é uma convicção com um objeto real – Jesus Cristo. Porque há um Deus verdadeiro. Por isso, a fé cristã ultrapassa uma ideia de simples confiança e não deve ser considerada, em hipótese nenhuma, um salto no escuro!

Cristo, o objeto da nossa fé, é ainda o Autor e Consumador dela, vejamos:

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus”. (Hebreus 12:2).

Ele é o criador, concessor e garantidor do aperfeiçoamento da fé na vida do cristão. E isso faz toda a diferença na hora de enfrentar momentos de crise. Além de tudo o que foi dito, a fé tem um alvo expressamente delimitado pela Palavra de Deus, qual seja a “salvação de nossas almas” (1 Pedro 1:9) ou ainda o exercício da função de escudo, protegendo o cristão de ataques inimigos (Efésios 6:16). A fé liberta o homem da desesperança e do medo (Marcos 4:40). Diante desses exemplos, perceba que maravilha é esse dom de Deus chamado fé.

É com essa fé que, no enfrentamento de tempestades e de circunstâncias adversas, o cristão é movido e sustentado pela confiança na Palavra do Mestre, é  conduzido a uma vida para além das circunstâncias, pois Cristo está no barco.

Não se engane, viver pela fé não é apenas confiar na vitória sobre a crise ou circunstância (1 Coríntios 15:19). É mais, muito mais do que isso! Independentemente de qualquer crise, o fiel caminha em direção a Cristo, pela plena convicção de algo eterno e imensuravelmente maior, por mais duradoura que seja a tempestade ou sofrimento.

Pela fé, quando chamado, Abraão obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo. Pela fé, peregrinou na terra prometida como se estivesse em terra estranha; viveu em tendas, bem como Isaque e Jacó, coerdeiros da mesma promessa. Pois ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto e edificador é Deus. Pela fé, Abraão e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade, recebeu poder para gerar um filho, porque considerou fiel aquele que lhe havia feito a promessa (Hebreus 11:8-11).

Tome o exemplo de Abraão, que creu na promessa apesar de todas as circunstâncias à sua volta lhe serem desfavoráveis.

Essa é a fé que faz diferença no momento crítico e que é fundamental para nossas vidas.

Rodrigo de Jesus Sousa

Presbítero na Igreja Batista Renascer e advogado junto à Unimil – União dos Militares do Estado de Goiás e também junto ao PROCON GOIÁS.

Você também vai gostar de ver