Cadê a minha memória?

Perda de memória é uma queixa cada vez mais comum no consultório. E aqui não falo de Alzheimer, doença degenerativa irreversível que compromete a capacidade cognitiva, mas sim da dificuldade provocada pelo estilo de vida do homem moderno – sempre conectado, sempre on-line.

A enxurrada de informações que nos bombardeiam é alarmante. Um estudo americano estimou que uma pessoa consome cerca de 35 gigabytes ao dia: entre e-mails, televisão, celular e redes sociais. Entretanto, nosso cérebro tem uma capacidade de processamento simultânea limitada. Quanto mais crescem as vias de comunicação e transmissão de informações, mais energia é gasta para reduzir as incertezas, sobrecarregando assim a cognição.

Além disso, superestimamos nossa capacidade de sermos multitarefas. O cérebro funciona melhor quando cada ação é realizada individualmente. Na verdade, ser multitarefa nos torna desatentos, uma vez que demoramos de 10 a 20 minutos para retomar o foco total de uma atividade depois de uma interrupção.

Recentemente, também experimentamos os reflexos da infecção pela Covid-19 e seu comprometimento sobre a memória. Seja por multiplicação viral nos neurônios, ou diminuição da comunicação intercelular, a dificuldade cognitiva é maior nos casos de infecção grave.

Mas, como remediar esses efeitos? Devemos priorizar a mudança do estilo de vida e, para ilustrar tais mudanças, uso o acrônimo SAÚDE que demonstra  os passos necessários. Vejamos:

Iniciamos pelo Sono: dormir o mais cedo possível e com tempo de qualidade, permitindo-se acordar descansado. O segundo passo é a Alimentação, que deve ser equilibrada, incluindo vegetais, legumes e gorduras boas (presentes no abacate, azeite e peixes), bem como evitando açúcares e comida processada. O terceiro é a União, mantendo as relações saudáveis nas várias esferas humanas – familiar, social e trabalho – que são benéficas para o funcionamento cerebral. Também unir-se a si próprio, através de períodos off-line, pois é preciso “desligar-se” por alguns períodos. O quarto passo é o de Desafiar o cérebro, ou seja, sempre ser um aprendiz, mantendo-se interessado e curioso. Por fim, Exercícios físicos, pois um corpo ativo libera neurotransmissores que recuperam as áreas cerebrais, inclusive a da memória.

Com essas pequenas medidas, com certeza você evitará uma perda de memória acentuada e consequentemente terá uma vida mais saudável!

Dr. Danilo Magnus Rocha Pinheiro

Neurologista com Mestrado pela Universidade Federal de Goiás.

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