Enxaqueca: como as mulheres lidam com esse problema?

A enxaqueca ou migrânea é uma doença neurológica, genética e crônica, caracterizada pela  cefaleia (dor de cabeça) intensa, pulsátil e episódica, náuseas, vômitos, tonturas e sensibilidade à luz, podendo durar de 4 a 72 horas. Pode ou não ser precedida por “aura”, que é um conjunto de sinais sensoriais e visuais que alertam para um início de enxaqueca.

A enxaqueca ocorre em pessoas cujas células nervosas do cérebro (neurônios) são mais facilmente estimuladas, produzindo atividade elétrica.

As mulheres são afetadas por essa doença três vezes mais que os homens, provavelmente porque a queda do hormônio estrogênio durante os ciclos menstruais é um gatilho que desencadeia o desconforto característico da enxaqueca.

Porém, nem tudo está dentro do corpo. O estilo de vida e a cultura ocidental moderna têm um grande peso na dor. O estresse e as cobranças sobre a mulher são enormes! É a casa para cuidar, os filhos para educar, a vida profissional, a aquisição de mais responsabilidades e menos oportunidades de descansar. A rotina abarrotada de afazeres e as questões hormonais viraram uma bomba na saúde da mulher. A enxaqueca tornou-se mais frequente com a emancipação feminina, já que um dos resultados desse movimento é o menor número de gestações e por consequência, a maior ocorrência de menstruações.

Existem outros fatores desencadeantes, os chamados “gatilhos”, como ingestão de vinho tinto e alguns alimentos, omissão de refeições, estímulos sensoriais em excesso, a exemplo de luzes brilhantes e odores fortes, privação ou excesso de sono e alterações climáticas.

A enxaqueca, desde 2018, está colocada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no rol das enfermidades mais incapacitantes. Para quem sofre de enxaqueca, o impacto social, econômico e emocional é inevitável. A qualidade de vida do portador da doença e dos familiares mais próximos fica comprometida.

Assim, é importante procurar ajuda médica o mais breve possível, podendo  ser o clínico geral ou o neurologista, para se fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento medicamentoso. Este tratamento  compreende uma gama de opções e, sobretudo, modificar o estilo de vida, dentro do possível, com alimentação equilibrada, evitar o estresse, prática de atividades físicas e se necessário, a psicoterapia. Essas são algumas das orientações! Não se acostume com a dor, cuide-se!

Dra. Daiane Gonçalves de Araujo Kluthcouski

Pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás/UFG.

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