Superando as marcas da infância

As memórias mais doces que temos estão na nossa infância. Quem não se lembra das brincadeiras inocentes e entusiasmadas realizadas nesse período? Dos doces e desenhos que deixaram registro em nossa memória a tal ponto que se fecharmos os olhos, nos recordamos da cor, textura, do sabor e das palavras? Trata-se de uma nostalgia que, de alguma forma, contribuiu para a nossa identidade, atitudes, preferências e referenciais.

A infância é o tempo que exige mais dedicação dos nossos pais para formar o nosso caráter e desenvolver a nossa identidade. Nesse período, também ocorre a famosa “dor do crescimento”, como afirmam pediatras e ortopedistas, durante esse estágio ocorre o desenvolvimento dos nossos membros e articulações. Para algumas crianças, essas dores são apenas físicas, mas para outras, somam-se ainda as dores advindas de um trauma ou situação que deixaram marcas que não ficaram apenas na infância, mas para uma vida toda.

É sobre esse segundo ponto que quero tratar, pois grande parte dos nossos medos, inseguranças e questões emocionais não resolvidas, originam-se desse período. Sabemos que desde as Escrituras até o tempo presente, as crianças são atacadas de forma violenta com o único objetivo de comprometer ou mesmo matar uma geração. Nos dias atuais, as estratégias usadas para provocar tais  desastres são: as ideologias, a doutrinação pagã, as leis de aprovação do aborto, o tráfego de crianças, abuso, pedofilia, sensualidade precoce e o principal: as famílias desestruturadas.

A família é a instituição escolhida por Deus para cuidar, alimentar, instruir e proteger as crianças. Olhando para a Palavra de Deus, vemos o zelo dos pais em cuidar dos seus filhos. Por exemplo, os pais de Sansão e de João Batista, buscaram a instrução e sabedoria do Senhor para criar seus filhos para Deus, porém essa não é a realidade de muitas famílias.

Existem muitos homens e mulheres que por falta do conhecimento dos seus papéis dentro da família, pecam ao produzirem um ambiente familiar desajustado e doentio, que acaba por refletir em nossa sociedade como um todo. Quantos jovens estão enfermos em sua alma e corrompidos por padrões morais e sociais?

É nesse contexto que introduzo o meu breve testemunho. Como muitos, não vim de um lar cristão, tanto meu pai como a minha mãe carregavam bagagens de referências passadas e questões mal resolvidas que, em geral, foram introduzidas  na minha criação.

Meu pai foi um órfão de pais vivos, e foi entregue a uma outra família para ser criado. Neste lugar, ele não recebeu nenhum vestígio sequer de amor, cuidado, proteção ou referência masculina, pelo contrário, sofreu na mão dos outros, começou a trabalhar na lavoura muito cedo e teve que crescer sem apoio.

Esse histórico influenciou sua postura e seus valores, por isso, ele foi falho no quesito familiar, embora tenha se tornado um homem extremamente trabalhador e um grande comerciante. Como marido, desonrou a minha mãe com adultérios, imoralidades, agressividades e violência. Ressalto que os abusos e violência não se dão apenas de forma  física, mas também de forma emocional e psicológica.

O cenário em que cresci era desfavorável para um desenvolvimento saudável, vivi em meio às diversas brigas, violência, ameaças e disfunções emocionais. Por um longo período, até os meus dezoito anos, a minha casa parecia uma tragédia. É claro que tivemos momentos felizes,  mas também momentos de muita dor e tristeza.

Durante muito tempo não me senti como filha, não tinha muito apoio do meu pai, era ferida  por duras críticas, cobranças e decretos de maldição, palavras que afetavam a minha real imagem e, por um longo período, senti uma solidão emocional. Era um sistema totalmente opressor que imprimiu na criança que eu era, uma criança dura, revoltada, que negligenciava suas emoções, se cobrava para ser a melhor na escola e a melhor filha, que tinha sérios problemas com críticas e com perdas, que era algoz de si mesma, repleta de complexos de inferioridade, insegura, agressiva, desconfiada de tudo e de todos e o principal: incrédula, pois, cheguei num ponto que não acreditava ou mesmo confiava em Deus.

A forma que adotei para fugir de tudo isso foi mergulhar nos estudos e amar o dinheiro, para assim conseguir a aprovação que tanto esperava dos meus pais. Me entreguei as coisas fúteis dessa vida e por fim, veio a depressão e o desejo de suicídio. Mas, pela Graça Divina, o Senhor me resgatou e me deu vida, e com isso, Ele tem me ajudado a restaurar a minha vida e história.

Hoje eu vejo o Senhor como meu Pai, meu mestre e o meu Senhor! Ele me amou, restaurou e me adotou como Sua filha.

Quero finalizar dizendo a todos os leitores que existe um caminho de restauração! É possível contemplar a cura de suas feridas e escrever uma nova história tendo Cristo como nosso referencial e modelo.

Portanto, receba hoje a paternidade Divina e se posicione como o Filho (a) de Deus que você é!

Diana Bunielle

Publicitária, redatora e Head de atendimento, escritora da página @aoliveiraversos, membro da igreja Batista Renascer.

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