O sonho, os sinais e uma história de fé pra contar

Quando seu terceiro filho nasceu, ele sabia que precisaria de uma casa maior. Ainda que gostasse daquela que era sua primeira casa própria, sonhada, planejada e milagrosamente localizada no centro do polígono urbano que fora o alvo de suas orações, um espaço mais adequado para as crianças já se tornava inevitavelmente necessário.

A pequena casa localizada no fundo do terreno, embora recém construída e bem desenhada, se tornou pequena, porque o quarto de casal teve que abrigar um berço de madeira ao lado da cama, numa distância suficiente para alguém esticar o braço de madrugada e recolocar a chupeta na boca do bebê. Era hora de sonhar de novo: uma casa grande com espaço para um jardim, para plantar palmeiras dos dois lados e um bougainville junto ao muro, para que seu vibrante arroxeado das flores se debruçasse para fora.

Bem, pra realizar este sonho, teria que juntar tudo no mesmo pacote: o carro usado, a licença de uso da linha telefônica fixa, uma antena parabólica gigante que ficava no gramado, um aparelho de videocassete novinho em folha… tudo que no meio da década de noventa tivesse valor comercial e fosse de interesse do comprador.

Ele brincava com os amigos que só não incluiria a mulher e os filhos no negócio! De qualquer forma, dependendo da casa que aparecesse à venda, isso não daria nem a metade. Um dia ele recebeu um recado sobre uma casa numa avenida, mas não se animou muito. Passou na rua dirigindo devagar o seu velho sedan cinza, com as crianças fazendo algazarra no banco traseiro. Uma espiadela lhe revelou um muro sem reboco, uma casa com telhados sobrepostos, uma calçada em terra nua, além do que a casa tinha uma aparência de ainda estar inacabada.

A localização, porém, era ótima. Olhando pela fresta do portão viu que a casa sequer tinha garagem, só uma base de concreto. As vidraças eram verdes e verticais, com a parte superior arqueada. O que era pra ser um jardim, estava entulhado de pés de jilós e abóboras, que pareciam querer invadir os losangos de concreto que iam do portão à porta principal.

Gaiolas de pássaros estragadas se amontoavam, madeira, andaimes, palha de arroz espalhada, uma grande cisterna na lateral da casa e chão em terra batida. As faces internas dos muros em alvenaria ainda esperavam por reboco. Ele pensou… tem potencial. Voltou à noite, sozinho, depois que o proprietário regressou do trabalho.

Era um pedreiro que afirmou ter feito a casa para morar com a família, mas havia mudado de planos. Quando soube do valor do imóvel, numa conta rápida de cabeça, concluiu que, ainda que o vendedor aceitasse além da casa, o carro e as coisas que supostamente poderiam ser incluídas no negócio, ainda faltaria quase a metade do dinheiro. Muito sem coragem, fez a proposta colocando seu preço em cada coisa, o que levou o vendedor a dar uma sonora risada e perguntar: você ainda quer um prazo de seis meses para pagar o restante, em tempos de inflação mensal galopante?  A conversa foi desanimadora.

Ao sair, ficou no meio do jardim que mais parecia um quintal desleixado e olhou para o céu. Que visão noturna maravilhosa! Meneou a cabeça meio que desistindo do negócio, se encaminhando para a saída. De repente, teve um insight! Olhou cuidadosamente entre os pés de jiló e lá estavam elas: duas palmeiras pequenas meio sufocadas, uma de um lado outra do outro, da precária passarela de concreto. Estremeceu! Seria possível haver ainda mais algum sinal?

Antes de sair, olhou ao lado do portão e notou que um pequeno pé de flamboyant roxo desfolhado pelas formigas já crescia junto ao muro. Ele não teve dúvida… era uma questão de se apossar pela fé! Agora era esperar pra ver como Deus moveria as peças do quebra-cabeças para que a casa fosse sua!

Passou uma semana e o pedreiro apareceu em sua casa no intervalo do almoço. Antes de sair para encontrá-lo na varanda, teve um tempinho para orar. Por incrível que pareça, ele apenas pediu pra dar uma volta no carro e assim que voltou, disse que aceitava a proposta que, a princípio, lhe pareceu descabida. Disse que precisava do carro com urgência, o que foi resolvido quase que prontamente. No fim das contas, o mesmo transporte fez as duas mudanças no mesmo dia, seis meses depois de efetivado o negócio.

Hoje, a grande casa que adquiriu para a sua família está bem diferente! O que era potencial, é hoje história e fotos guardadas nos pequenos álbuns de plástico no fundo de uma gaveta qualquer. Nem a fé em milagres é a mesma desde então. De lá pra cá, e já se vão quase três décadas, ela só fez aumentar!

Pr. Anibal Filho

Doutor em Produção Vegetal pela UFG e Pastor auxiliar da Igreja Batista Renascer.

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Nalva Maria
Nalva Maria
3 meses atrás

Que lindo!! Conheço essa história citada pelo Pr. Aníbal mas a lendo, lacrimejo.Deus não é apenas fiel ele é o Senhor de todas as coisas basta buscá-lo!E quantas outras histórias a partir dessa..

Last edited 3 meses atrás by Nalva Maria
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