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A rotina, a disciplina e a mudança

Dizem por aí que a única coisa realmente constante no mundo é a mudança. Em todo canto, em todo lugar e em todo tempo. Pode até ser, mas não é bem assim com seres humanos, essas quase indecifráveis e inexplicáveis criaturas que as ciências humanas se desdobram para entender e, via de regra, ajudar a mudar. Ajudar é a melhor palavra aqui, já que uma das poucas coisas que sabemos de verdade sobre nós é que mudança é uma porta que se abre de dentro para fora, por vontade própria.

Quando falamos de hábitos, se levarmos em consideração a teoria de Maxwell Maltz, um médico especialista em amputações da década de 50, são necessários pelo menos 21 dias para nos adaptarmos a novas situações, teoria esta que foi adaptada e adotada por muitos cientistas do comportamento.

Sabe-se hoje que o estabelecimento de um prazo é que realmente faz a diferença, pois a estipulação de uma meta (um objetivo devidamente quantificado em determinado tempo) é que nos fortalece gradativamente na adoção de um novo hábito.

Quando falamos de rotina, o hábito se torna um comportamento metódico, determinado, constante, e nem sempre é algo adquirido, mas algo que nos impõe na vida doméstica, no trabalho, na escola. Rotina parece ser algo que as pessoas em geral não apreciam muito, pois vivem buscando meios de quebrá-la, experimentando todas as variações possíveis que as livre da cadência monótona que ela traz.

Um bom hábito precisa ser cultivado, uma rotina saudável deve ser mantida, mas a busca da disciplina, traduzida aqui como uma transformação real, uma mudança de atitude, é que deve ser perseguida a todo custo. Muitos profissionais de saúde vivem frustrados com seus pacientes que insistem nas dietas da moda, no corpo para o próximo verão, no alívio dos sintomas sem cuidar da causa. Se comprometer com um novo estilo de cuidar da saúde, uma reeducação alimentar pra vida toda, a prática regular e contínua de exercícios físicos é que vai fazer com que as mudanças sejam perenes, intrínsecas e efetivas.

Quando se trata de disciplina espiritual, não são poucos os que a confundem com hábitos e rotinas religiosas, onde a alma e o coração não estão no comando. Muitas vezes são meras repetições, vazias em conteúdo e amor, com apenas aparência de santidade, como bem diz o apóstolo Paulo de Tarso. Eu me arrisco até a parafrasear o grande e já saudoso educador Rubem Alves, que dizia que nossos frutos têm que vir das entranhas, do processo quase fisiológico e não como as árvores de Natal cheia de enfeites, que ao menor chacoalhão se esfacelam e perdem seu propósito.

Particularmente não tenho absolutamente nada contra hábitos e rotinas consideradas religiosas, desde que a atitude pragmática não as considere o fim em si mesmo, mas um meio de edificação pessoal. A disciplina é algo que se torna tão grudado como a sombra, natural e incorporada no dia-a-dia, sem que isto se torne um peso, uma “canseira” que, com certeza, vai produzir, a curto e médio prazo, uma onda de estresse.

A conversão de um coração não é a adoção de novos hábitos, a obediência a uma lista de permissões e proibições, mas algo que muda tão intensamente a criatura, que Jesus chamou este processo de “nascer de novo”. Alguns hábitos modernos, muitos deles atrelados à tecnologia, ativismo e, porque não dizer, ao exibicionismo, estão levando esta geração literalmente à loucura. Em certos casos, um hábito pode levar a uma rotina, que pode levar a um vício incontrolável. A disciplina flerta com o equilíbrio e é uma antítese a este caos. Por falar em bom hábito, bora tomar um café?

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