Mão na massa!

Provavelmente você já leu ou ouviu muitas vezes sobre ser barro nas mãos do oleiro. Quero esquecer um pouco o vaso em si, sua forma ou sua utilidade. Quero olhar para o Oleiro, Aquele nas mãos de quem e sob a imaginação e criatividade de quem, o barro ficará completamente entregue, confiadamente. Vou falar sobre Deus? Sobre quem seria senão sobre Aquele que escolheu o barro para trabalhar e fazer a obra de arte chamada Você, na descendência longínqua de Adão e Eva, seus pais, feitos da argila moldável?

Bem, tendo em mente o tempo todo que somos a matéria prima para a obra de Deus na Terra, vamos pensar sobre como Ele nos vê. Primeiro, esse Oleiro escolhe o barro que vai usar. Não pode ser qualquer argila, mas a que for trabalhável. Depois disto, entra em cena a imaginação do oleiro. Sua criatividade não tem limites. Ele olha pro barro ainda disforme e já enxerga o seu futuro. Ele acredita firmemente que aquela matéria quase primitiva vai se transformar em uma verdadeira obra de arte.

Sentiu a força do seu olhar? Está pronto? Ele não apenas está com vontade de fazer algo com aquela argila, mas possui a necessidade de fazer. A argila está ali com um propósito! Existe uma intencionalidade, um senso de utilidade (e prazer) envolvido. A matéria continua lá, esperando as mãos do artesão começarem o trabalho. Pensa no carinho com que essas mãos tratam o barro, a concentração, a maciez da pele contra a aspereza dos grãos e impurezas a serem retirados. Ainda tem a água, que vai permear as partículas do solo sendo manipulado, sem a qual seria impossível dar forma ao que, por enquanto, só existe na mente do artesão. Essa água te lembra alguma coisa?

O Oleiro é rico em paciência. Se assim não for, ao primeiro sinal de rebeldia desta argila entre seus dedos, ela seria descartada. O artista é experiente, tem o jeito certo de pôr a mão na massa. Não se preocupe. No final vai dar tudo certo, mas ainda não é o final… agora vem a roda, a plataforma, onde a velocidade será controlada pelo artesão, no tempo exato para suas mãos moldarem o barro. Não importa a forma do vaso, se grande ou pequeno, se profundo ou raso. Basta saber que foi concebido na mente do artesão e Ele decide o que e como fazer. Deixe a roda girar.

Depois de tudo aparentemente pronto, vem a cozedura. Será necessária a fornalha, na temperatura ideal para que a obra não se rompa. Ele não provará o vaso além do que o vaso possa suportar. Tem que confiar! Não tem escolha. Não tem como fazer de conta… é se jogar nas mãos do Oleiro e confiar sem reservas.

Curioso como depois do forno, a cor muda, a resistência se estabelece. Agora só falta chegarem as rosas ou o alimento a ser guardado, ou a água até quase transbordar. O clímax é o sorriso do artesão, seu orgulho em ver sua obra em toda a sua utilidade e beleza.

Uma coisa Ele sabe bem: se por acaso o vaso cair, se rachar ou mesmo se quebrar, basta voltar para suas mãos hábeis. Ele sabe tudo sobre a matéria prima, conhece cada detalhe da confecção de sua obra,  é absolutamente capaz de devolver a ela toda sua beleza e plenitude. Basta que o vaso permita!

Não sei quanto a você, mas às vezes sinto a roda do tempo girando depressa, um calor quase insuportável me testando, mas, o tempo todo, sinto que existem mãos firmes e atentas cuidando de cada processo. Melhor eu ficar quieto no meu canto… e confiar que tudo vai acabar bem!

Pr. Anibal Filho

Doutor em Produção Vegetal pela UFG e Pastor auxiliar da Igreja Batista Renascer.

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